Cidades & Região / Nova Andradina
Novo projeto social tem a missão de qualificar jovens para o mercado de trabalho
Com mais de 400 menores infratores cumprindo medida socioeducativa, desafio é tirá-los do mundo do crime
Glaucia Piovesan, Da Redação
Completando 10 meses no comando da Semcias (Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social), Julliana Ortega, fez um balanço das principais ações desenvolvidas e de projetos que devem ser implementados nos próximos dias.
Uma das novidades é o ACESSUAS (Programa de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho), que irá oferecer qualificação técnico-profissional para menores em situação de vulnerabilidade para acesso a oportunidades de trabalho e emprego. O programa começará a ser implantado em outubro, a partir do processo de seleção da equipe de trabalho e dos cursos de capacitação que serão disponibilizados.
A outra iniciativa inédita já é realidade – a inserção de sete menores aprendizes nos trabalhos na administração pública, sendo o primeiro município do Estado de Mato Grosso do Sul a colocar em prática o programa dentro da Prefeitura Municipal.
As duas ações são voltadas aos menores de idade, um dos focos de atuação da equipe da Semcias. Para atender adolescentes em situação de vulnerabilidade social, o setor conta com o Centro da Juventude que atua em parceria com SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), na realização de cursos de capacitação nas mais diversas áreas.
Agora, quando o assunto é menor infrator, o desafio é tirar esses menores do mundo do crime e inseri-los na sociedade. Somente neste ano, 414 adolescentes foram encaminhados pelo Judiciário para o cumprimento de medidas socioeducativas aplicadas – Liberdade Assistida e Prestação de Serviço Comunitária.
O trabalho é feito pela rede de atendimento do CREAS (Centro Especializado de Assistência Social), que oferta orientação e apoio de profissionais especializados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, além de oficinas de artes, hortas e outras atividades laborais.
Segundo a secretária da pasta, Julliana Ortega, a estratégia não é trabalhar na perspectiva de apreender o adolescente, mas de ressocializá-lo. “Temos uma equipe de atendimento para trabalhar essa condição para que retomem o sentido da vida e caminhem para participar das coisas, voltem a estudar e conviver em sociedade”, defende.
Os maiores entraves para a recuperação dos menores infratores ainda é a desestruturação familiar e o déficit de educação. “Muitos residem num ambiente em que a família está envolvida com o tráfico de drogas, ou que não concluiu nem sequer o ensino fundamental. Contudo, com o desenvolvimento dessas oficinas profissionalizantes, encaminhamentos para outros projetos e o apoio de toda a rede têm propiciado bons resultados”, ressalta Ortega.
Andarilhos e mendigos
A secretária ainda abordou na entrevista ao Jornal da Nova, a problemática dos andarilhos e mendigos que vem dando trabalho à polícia, incomodam a população, em especial, comerciantes da área central do município.
Vivendo em condições precárias pelas ruas da cidade, caídos em frente a bares ou em grupos, ingerindo bebidas alcoólicas, ou usando drogas em locais públicos como arredores da rodoviária, estes homens e mulheres sempre incomodam a quem passa ao seu lado, ou pedindo dinheiro para compra de bebida e cigarro, ou mesmo proferindo palavras de baixo calão quando se sentem menosprezados.
Comerciantes reclamam da presença dos andarilhos que importunam clientes e fazem os mais diversos pedidos.
Para a secretária Julliana, o problema social não é novo, mas de difícil solução. É um trabalho do poder público municipal que, não raras vezes, deve ser partilhado com a polícia e com a sociedade como um todo. Em Nova Andradina, a secretaria realiza abordagens diárias e conhece a maioria dos pedintes e andarilhos. “A maioria são usuários de drogas e preferem viver nas ruas, não aceitam tratamento. Cerca de 10 são residentes e têm família no município, no entanto, se negam a voltar pra casa. Outros vêm de outras cidades e sem dinheiro para voltar para casa, vão ficando. Nós damos passagens para voltar as cidades de origem, onde estão seus laços afetivos e familiares. Enfim, há casos variados. Por isso não há solução única”, analisa.
Jornal da Nova – A grande dificuldade em solucionar o problema reside no fato de que a constituição brasileira garante o direito de ir e vir dos cidadãos? Julliana Ortega – Não é possível obriga-los a se retirar da via pública. Nós orientamos e informamos aos andarilhos que eles não podem ficar nesses locais permanentemente, mas também não podem tratá-los de forma grosseira ou rude.
Jornal da Nova – O município ainda oferece a Casa do Migrante (espécie de albergue), que está à disposição para os moradores de rua ou migrantes? Julliana Ortega – O problema é que para ficar lá é preciso obedecer algumas regras, como tomar banho e não usar drogas ou álcool, e esse pessoal não aceita regras, então não quer ficar lá.
Jornal da Nova – A Polícia Militar, nestes casos, também auxilia nas abordagens e fiscalizações quando se faz necessário? Julliana Ortega – Eles fiscalizam e se existe algum tipo de violência, ameaça ou prática de crime, é o caso de intervenção policial. Não havendo, não há o que a polícia possa fazer. Ninguém pode ser preso só por estar sujo ou por dormir em frente a um estabelecimento.
Jornal da Nova – A população pode ajudar ao não dar esmolas e não fornecer bebida aos mendigos? Julliana Ortega – Não dar nem mesmo comida. Essas ajudas os estimulam a permanecerem nas ruas. Invés de dar esmola na rua, ajude os asilos, os abrigos, as organizações que apoiam dependentes químicos.
Idosos e crianças
Referência no atendimento aos idosos, Nova Andradina ampliou o número de pessoas da melhor idade atendidas por meio do Serviço de Fortalecimento de Vínculo para Idosos (Projeto Conviver). São mais de 800 idosos.
Neste ano, a principal inovação foi implementada em fevereiro, quando a Semcias começou a oferecer novas atividades como oficinas de Capoterapia e atendimento preventivo diário em parceria com a equipe técnica de enfermagem do Cenar (Colégio Educacional de Nova Andradina). A próxima ação deve acontecer nesta semana, durante as comemorações do Dia Nacional do Idoso, onde serão oferecidos diversos serviços de prevenção e saúde a este público.
Com relação à criança, o governo municipal aderiu ao programa Criança Feliz, do MDSA (Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário), para promover o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 3 anos, com ações nas áreas de educação, saúde, justiça e cultura. “A equipe do Semcias fará um atendimento in loco, nas residências das famílias acompanhando as necessidades de cada criança”, anuncia a secretária com exclusividade ao Jornal da Nova.
Saúde Mental
Criado este ano pelas gestões de saúde e assistência social, o grupo de saúde mental se reúne uma vez por semana e atua em duas frentes: as discussões de casos e planos de trabalho e ações específicas voltadas a temáticas como depressão (campanha desenvolvida no dia 18 de maio) e suicídio, que terá seu encerramento na quarta-feira (27), com uma mesa redonda e palestras na Câmara Municipal, trazendo à tona dados sobre suicídio no Estado de MS, formas de prevenção, orientações sobre abordagem, entre outros.
Atendimentos
De janeiro a julho, a Semcias realizou um total de 1.981 atendimentos particularizados e 2.051 visitas. Acompanhou 1.980 famílias através do PAIF (Programa de Atenção Integral à Família) e concedeu mais de dois mil benefícios.
Pelo CREAS, o total de famílias acompanhadas chegou a 1.144. O total de crianças e adolescentes vítimas de violação de direito que são acompanhadas foi 719 e de idosos 274. Para imigrantes, o total de passagens oferecidas foi de 193, além do trabalho voltado aos adolescentes.
Por último, a secretária afirma que o foco é a autonomia dos usuários. “Nossas ações são planejadas, procurando retirar as pessoas da condição de vulnerabilidade e não apenas concedendo benefícios momentâneos. “É um trabalho contínuo, que acompanhamento e planos de atendimento, conforme preconiza a Política de Assistência Social. Os agentes públicos, de todas as esferas de governo, devem caminhar juntos. A maior preocupação é com os constantes cortes nos programas governamentais. Se isso acontecer, estamos atentos e teremos que fazer um replanejamento das ações”, finaliza.
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