Cidades & Região / Dourados
''Pode ser um sinal de algo pior'', diz sindicalista sobre princípio de rebelião na Phac
Dourados News
O princípio de rebelião que aconteceu no início da noite desta quarta (17) na Phac (Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa), em Dourados, foi avaliado como um possível ‘sinal’ de algo pior pelo presidente do Sinsap/MS (Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso do Sul), Francisco Sanabria.
Procurado pelo “Dourados News”, ele voltou a criticar as condições estruturais do sistema penitenciário estadual, e disse que o problema na Phac “não foi nada” perto do que pode realmente vir a acontecer.
“Isso pode ser um aviso de uma situação pior que pode vir a acontecer em breve. Os servidores e, consequentemente a sociedade, vivem em uma condição de medo e insegurança. Temos uma população carcerária estadual de 12 mil presos em uma estrutura que suporta seis mil e com um déficit de agentes de mais de 1,5 mil. É uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento”, alertou o sindicalista.
Na Phac são quase dois mil presos em uma infraestrutura que conforme o sindicato, e também conforme apontado em várias oportunidades inclusive por órgãos como o Ministério Público, também não é adequada a demanda, pois foi construída para abrigar metade deste montante.
De acordo com Sanabria as providências tomadas pelo Estado com relação ao problema carcerário “não resolvem nada de fato”. Ele citou, por exemplo, o recente concurso público que convocou pouco mais de 200 agentes, sendo que o déficit da categoria atualmente é de 1,5 mil. Além disso, o representante sindical acusou e criticou providências como a transformação de delegacias em pequenos presídios. “Estão fazendo isso em alguns municípios, o que é um absurdo. Aconteceu recentemente em Nova Andradina e Maracaju. São locais com nenhuma estrutura para servir de presídio. A nossa realidade enquanto servidores é de que vivemos como super heróis, trabalhando em estrutura sem pessoal, sem equipamentos tecnológicos, e com um medo diário de estourar uma rebelião”.
Questionado sobre o que poderia ser feito para resolver a questão a curto prazo, Sanabria admitiu que isso é difícil, mas não poupou críticas à Sejusp/MS. “Existe plano para construção de mais presídios, mas isso é uma solução para daqui há dois, três anos, e até lá muita coisa ruim pode acontecer dentro do sistema carcerário. O grande erro, foi deixar chegar nesse ponto alarmante”, finalizou o sindicalista.
Ontem, aproximadamente 150 internos iniciaram uma rebelião após pente fino realizado no local. Segundo as informações da Polícia Militar, após a revista nas celas, alguns presos foram levados para o Raio 1, causando revolta por parte dos condenados. O clima ficou pesado, mas a situação foi contornada alguns instantes depois. Não houve feridos e nem reféns.
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