Droga é capaz de atrasar metástase óssea do câncer de próstata

Redação


Estudo clínico internacional descobriu que o tratamento com uma droga que suprime a decomposição normal dos ossos pode atrasar o desenvolvimento de metástases óssea nos homens com câncer de próstata.

O estudo é o primeiro a conseguir reduzir a metástase óssea nesses pacientes e reforça a importância de se tratar o microambiente ósseo para evitar a disseminação do tumor de próstata.

"Os pacientes de câncer de próstata que desenvolvem metástase óssea costumam ter resultados ruins, então, impedir o desenvolvimento de metástase tem sido uma necessidade clínica importante não atendida.

Esta primeira demonstração de um tratamento que possa cumprir essa meta é uma realização significativa que deverá conduzir a melhores estratégias de tratamento", disse o professor de medicina Matthew Smith.

O osso é o local mais comum - em alguns pacientes o único local - para o desenvolvimento da metástase do câncer de próstata, que pode levar à dor, fraturas e à necessidade de cirurgia ou radioterapia. Quase todos os homens que morrem de câncer de próstata têm metástase óssea.

Uma pesquisa anterior sugeriu que o desenvolvimento metastático envolve interações entre fatores de crescimento secretados pelo tumor e o processo normal pelo qual o tecido ósseo é quebrado e reconstruído.

Estudos em animais indicaram que inibir os osteoclastos - as células que causam a reabsorção do osso - pode evitar a metástase e que a sua expressão nas células de câncer de uma proteína de sinalização chamada RANKL, que ativa os osteoclastos, pode preparar o microambiente ósseo para a disseminação do tumor.

O Denosumab é um anticorpo monoclonal contra a RANKL e é aprovado pela FDA para dois usos - tratamento de osteoporose e prevenção de fraturas nos pacientes com metástases ósseas de tumores sólidos.

O Denosumab é comercializado pela Amgen - que financiou o estudo atual - sob o nome Prolia, para o tratamento de osteoporose e Xgeva, para o tratamento de câncer.

O estudo atual inscreveu 1.432 participantes em 319 centros em 30 países - todos pacientes com câncer de próstata cujos tumores tinham parado de responder à terapia de privação de androgênio e eram livres de metástase, embora os crescentes níveis de PSA tenham indicado que estavam em risco de metástase.

Os participantes foram aleatoriamente designados para receber injeções de denosumab ou de um placebo a cada quatro semanas.

Durante o período de dois anos do estudo, os pacientes foram examinados - incluindo um exame ósseo - a cada quatro meses, e pesquisas de raios-X do esqueleto foram realizadas anualmente.

Se um exame nos ossos indicava a presença de metástase, ela era confirmada com um raio-X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Após esta confirmação, o tratamento em estudo foi interrompido, já que outras terapias são aprovadas para o tratamento do câncer de próstata metastático.

Os resultados do estudo indicaram que o tratamento com denosumab aumentou a sobrevivência livre de metástase óssea - definida como o tempo, até a primeira metástase ou a morte por qualquer causa - por uma média de mais de quatro meses, estendeu o tempo antes da primeira metástase e retardou os sintomas das metástases.

Os marcadores bioquímicos indicaram que o tratamento com o denosumab fez reduzir a remodelação óssea.

Apesar de não ter existido diferença na sobrevida entre os dois grupos do estudo, os autores observam que o fato de que o denosumab ter sido interrompido quando a primeira metástase foi diagnosticada dificultou para se julgar os efeitos da droga sobre a sobrevivência. (Com informações Isaude Net)

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