Reféns são soltos, e rebelião acaba após 48h no Paraná

G1/PR


Após 48 horas, acabou a rebelião na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), na região central do Paraná. O motim começou no fim da manhã de segunda-feira (13) e terminou por volta das 11h30 desta quarta-feira (15). Treze agentes penitenciários e diversos detentos foram feitos reféns, de acordo com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) do Paraná. Até pouco antes do fim da rebelião, oito pessoas haviam ficado feridas, sendo cinco presos e três agentes penitenciários. Com o fim do motim, todos os agentes reféns foram encaminhados a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. O balanço final, como a contagem de presos, quantidade de feridos e estado de saúde de todos os envolvidos, ainda deve ser informado pela Seju.

>>Leia também

Rebelião no Paraná: Dois presos são jogados de telhado e 11 pulam

Segundo o diretor do Departamento de Execução Penal do Estado do Paraná (Depen), Cezinando Paredes, cerca de 160 detentos estavam indo para um canteiro de trabalho, quando alguns deles aproveitaram para render os agentes e outros presos. A penitenciária abriga 240 detentos e trabalha com um modelo em que os detentos podem estudar e trabalhar no local. Ainda de acordo com Paredes, assim que a rebelião terminou, verificou-se que os presos danificaram o canteiro de trabalho, o setor de saúde e os telhados. Os demais locais estão intactos.

Conforme a Seju, por volta das 10h desta quarta, os presos concordaram em terminar a rebelião assim que 28 detentos fossem transferidos. No mesmo horário, a Seju deu início ao processo de transferência para uma penitenciária de Santa Catarina e outras unidades do interior do Paraná, que não serão divulgadas.

Além disso, o tenente da Polícia Militar (PM), Fábio Zarpellon, afirmou que foram ajustadas algumas das reivindicações apresentadas pelos presos na terça-feira (14), como melhorias na alimentação e nas condições físicas.

A rebelião na PIG
O motim começou na manhã de segunda-feira com treze agentes penitenciários como reféns, além de dezenas de presos. Rebelados subiram nos telhados com os reféns e quebraram vidros da penitenciária. Poucas horas depois, um dos agentes foi liberado e hospitalizado após presos terem jogado cola no corpo do rapaz. No fim da tarde de segunda, cinco detentos também ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais da cidade. De acordo com o Samu, quatro deles tiveram ferimentos leves, enquanto um teve traumatismo craniano moderado.

No segundo dia de rebelião, outros três agentes penitenciários foram libertados pelos presos. Nesse mesmo dia, os rebelados entregaram uma lista de reivindicações aos negociadores, como melhorias nas condições da PIG, a troca da direção da penitenciária e progressão de regime de alguns presos para o semi-aberto. Além disso, os presos também geraram um tumulto ao exigir que policiais colocassem na sombra as famílias , que aguardavam em frente à penitenciária. Os rebelados chegaram a pendurar um preso pelos pés, amarraram e vendaram um agente em um para-raios, além de espacarem outros reféns constantemente.  Presos bateram em refém durante a rebelião em Guarapuava, no Paraná - Foto: Alana Fonseca/G1

Um grupo de três policiais militares manteve contato direto com os presos durante os dias de rebelião na tentativa de se chegar a um acordo. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Comando de Operações Especiais (COE), o diretor do Depen, uma promotora pública e um defensor público deram apoio durante as negociações.

Esta foi a primeira rebelião na PIG, que foi inaugurada há 15 anos. Conforme a vice-presidente do Sindarspen, a unidade já foi exemplo de penitenciária para o país. "Na PIG, só entravam presos que gostariam de se ressocializar. Existia uma seleção para isso. Hoje, não existem mais critérios. Entram presos perigosos, que participaram de outras rebeliões, e que conseguem disseminar a revolta entre os outros detentos quando algo não os deixam satisfeitos lá dentro", alega.

De acordo com a Seju, dez presos que participaram da rebelião em Cascavel, em agosto, que resultou na morte de cinco detentos, foram transferidos para a Penitenciária Industrial de Guarapuava. A Seju ainda não sabe informar se, entre os rebelados de Guarapuava, estão os transferidos de Cascavel.

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!