Detenção de motorista deu ''fio da meada'' para que organização criminosa fosse presa

Jornal da Nova obteve acesso a detalhes exclusivos da investigação. Grupo movimentava tráfico de cocaína em Batayporã

Da Redação


Amado por poucos e odiado por muitos, agosto certamente não ficará guardado entre as melhores recordações de Alex Alexandre Rocha. Detido pela PMR (Polícia Militar Rodoviária) de São Paulo no primeiro dia do referido mês, foi a partir daí que a Polícia Civil encontrou o “fio da meada” para desarticular e prender a organização criminosa responsável por movimentar o tráfico de cocaína em Batayporã, conforme noticiado no último dia 30 de setembro.

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O Jornal da Nova obteve acesso a detalhes exclusivos da investigação, publicados agora nesta reportagem. Como já foi divulgado à época da prisão dos outros integrantes, estima-se que durante o tempo em que atuou, cerca de seis anos, o grupo tenha transportado aproximadamente 15 toneladas da droga, lucrando mais de R$ 3 milhões.

A prisão de Alex foi o que desencadeou a investigação. No dia 1º de agosto, ele foi detido enquanto transportava cerca de 150 quilos de cocaína, de Mato Grosso do Sul para São Paulo. O entorpecente estava escondido no interior da cabine de um caminhão conduzido por ele, mas de propriedade de Vicente Celestino Requena da Conceição, conhecido como “Vicentão”, seu patrão, apontado como líder da associação criminosa.

Em poder de Alex também foram apreendidos três aparelhos celulares, um deles, tipo mini e uma arma de fogo com numeração suprimida. Durante interrogatório, o investigado confessou ser a terceira vez que realizava o transporte de drogas ilícitas, o que fazia a mando de seu patrão, mas acreditava se tratar de insumo para mistura em cocaína.

 Entorpecente localizado em caminhão apreendido pela PMR de SP- Foto: Polícia Civil - SP/Divulgação

Polícia Federal e MPF

Além da análise dos aparelhos celulares, houve contato com a Polícia Federal de Dourados, onde foi veiculada a informação de que Alex e Vicente já eram investigados pela referida instituição policial. “Após prévia reunião, foi fornecido um relatório de investigação contendo informações que contribuíram imensamente com o deslanchar desta apuração”, detalha trecho do inquérito, que também traz a colaboração do MPF (Ministério Público Federal).

“Em conversação mantida entre Alex e Vicente, através do aplicativo telemático Whatsapp, comprova-se que Vicente coordena uma associação criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas, cujos caminhões usados nos transportes das drogas ilícitas são de sua propriedade”, completa a Polícia Civil de Rosana (SP) em outro trecho da investigação.

As conversas mostram ainda a participação de uma terceira pessoa, Edilaine Maria Silva Soares, vulgo “Edi”, amásia de Vicente e, segundo o inquérito, responsável por embalar e ocultar as drogas nos interiores das cabines dos caminhões que eram conduzidos por Alex.

 Entorpecentes apreendidos em um dos caminhões - Foto: Polícia Civil - SP/Divulgação

Além da participação do trio, há ainda a presença de outros três agentes identificados como motorista e outro funcionário de Vicente nesse grupo criminoso, uma mulher identificada como Marcilene, a qual seria companheira de Alex, e Sandro, ainda não identificado, como sendo o provável fornecedor daquelas drogas.

“Assim, após a análise dos celulares e demais registros telefônicos, as informações obtidas davam conta de que Vicente seria o mentor da associação criminosa, patrão dos motoristas e, ainda, exercia a função de batedor. À Edilaine cabia as funções de embalo e ocultação da droga no interior das cabines daqueles caminhões, o que fazia em uma residência localizada em Fátima do Sul, a qual também foi identificada”, detalha outro trecho da investigação.

Organograma que ilustra o funcionamento padrão da associação criminosa investigada - Foto: Reprodução

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