Nossa Senhora Aparecida

*Flávia Pimenta


Gritos silenciados pelo temor,

Dor instigando a vida e ninguém via.

A cor, diferença, ordem sem sentido.

Olhos fechados e o coração trancado.

Pobres homens vis,

enclausurados numa arrogância descabida.

Mas Ela viu e ouviu.

Cada grito e lamento.

Ela enxergou cada lágrima caída

Seu coração aberto, gigante.

Acolheu.

Na cor, no amor, na doação.

Serena e certa surgiu.

Esplendorosa e grandiosa

Numa pequena imagem num rio.

Disse sem palavras

Que amor não se divide

E seus filhos são irmãos

A mãe não admitia tirania e divisão.

Sem brado deu ordem de rainha

Que seus filhos deveriam dar as mãos.

O vermelho era cor de todos

Cor do coração.

Tentaram calar seus suplícios.

Mas suas palavras foram sussurradas na alma.

Ali cunhadas.

Ninguém silencia sua autoridade.

Ela ressurgiu

Provando inteira em sua forma

Que mãe não desampara seus filhos

E não aceita entre eles conflitos.

Ela é a rainha

Padroeira do Brasil.

Nossa Senhora Aparecida.

 

*Escritora e autora de quatro livros em Nova Andradina; “No seu olhar, No seu sorriso, Como está a sua Fé e Tempos que marcam”

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