O papel da mãe na aprendizagem dos filhos

*Priscila Malaguti Oliveira Gonçalves


Resumo: Este trabalho pretende discutir a importância da educação familiar, da participação da mãe na educação dos primeiros anos de vida da criança, entendendo que isso reflete em toda vida escolar do indivíduo. Analisar como as mudanças socioeconômicas tem interferido no âmbito familiar e modificado o desempenho na aprendizagem dos filhos, antes educados e bem acompanhados pela mãe e atualmente pelas instituições de educação, observar a colaboração do capitalismo para que as mudanças ocorressem.

Palavras Chave: educação, família, capitalismo, habitus.

INTRODUÇÃO

Muitas são as discussões sobre a vida escolar das crianças, levando em consideração vários fatores, um deles bastante discutido é o modelo de escola atual, porém, neste texto queremos observar a inserção da mulher no mercado de trabalho causada pelo modo de produção econômico da sociedade atual. A falta de tempo com a correria diária faz com que a educação da criança não seja prioridade. Essa falta de tempo entre os familiares faz com que as crianças em muitos casos sinta-se insegura e emocionalmente e menos produtiva na aprendizagem. As crianças precisam estar em boas condições emocionais para assimilar o conhecimento, entretanto, as crianças mesmo sem maturidade emocional já são ''cobradas'' a ''aprender'' e ficarem longe da família logo nos primeiros meses de vida. Podemos dizer que queremos impor o conhecimento, sem pensar na capacidade que estamos proporcionando ao indivíduo.

1.1 Mudanças Na Família: Reflexos Na Aprendizagem

A formação de um adulto bem sucedido pode estar relacionado com o afeto recebido desde o nascimento. Podemos observar que a sociedade tem passado por mudanças importantes e isso tem interferido na relação familiar e na educação das crianças, se relembrarmos como nossas vovós viviam já será muito diferente de como vivemos, e isso faz parte do processo histórico do homem, através das interferências sociais na família os papeis desenvolvidos por pai e mãe também estão diversificados, ao pensarmos em mãe, logo lembramos daquela que possuía a responsabilidade de  cuidar da casa e educar os filhos, a lembrança de pai é o que sustenta a casa economicamente, porém, a mulher foi inserida no mercado de trabalho e aos poucos entregando a responsabilidade de educar os filhos para a escola.

Os papeis que antes eram bem definidos atualmente estão bastante flexíveis dentro da estrutura familiar, podemos assim entender que o modelo de ''família tradicional'' não existe mais, se é que um dia existiu, segundo Pierry Bourdieu o habitus colabora na formação de uma representação, é algo que se internaliza nos indivíduos, ou seja, um idealização, o modelo de família formado pela sociedade é uma representação, na prática a família é formada por uma diversidade de comportamentos, a representação do modelo familiar ainda continua regendo alguns pontos de nossa sociedade. Bourdieu define Habitus como:

“O habitus é, com efeito, princípio gerador de práticas objetivamente classificáveis e, ao mesmo tempo, sistema de classificação (principium divisionis) de tais práticas. Na relação entre as duas capacidades que definem o habitus, ou seja, capacidade de produzir práticas e obras classificáveis, além da capacidade de diferenciar e de apreciar essas práticas e esses produtos (gosto), é que se constitui o mundo social representado, ou seja, o espaço dos estilos de vida.”(BOURDIEU, Pierre; O Poder Simbólico; 2007, p.162)

Outra discussão relevante referente esta temática é sobre a sociedade capitalista, voltada ao consumo, onde a mulher tem a necessidade de trabalhar para colaborar com as despesas da família, lembramos de Marx que disse ''na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade'' (Karl Marx, Critica da Economia Política, p. 135, 1859), segundo autor acima citado é o modo de produção quem rege a vida humana e reproduzimos isso automaticamente de acordo com o modelo social que estamos inseridos, o ''habitus social'' que Bourdieu menciona.

O papel da família na educação dos filhos e a transmissão de afeto é fundamental para o bom desenvolvimento da aprendizagem, porém a correria do dia a dia deixa a parte afetiva muitas vezes em segundo plano. Sisto Afirma que:

[…] embora não exista uma concordância quanto ao papel desempenhado pelos afetos no processo de conhecer, é consenso o fato de que os estados afetivos interferem no cognitivo. Também parece haver uma certa concordância quanto ao fato de que as funções afetivas e cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis, uma vez que não existe conduta afetiva sem elementos cognitivos nem tão pouco elementos cognitivos desvinculados do afeto. (SISTO, Fermino Fernandes; Dificuldades De Aprendizagem Na Escrita E Características Emocionais De Crianças. Jundiaí-SP, 2004.SISTO, 2001, p. 100).

É importante fazermos uma reflexão referente o papel que a família necessita
desempenhar, tendo em vista a muita importância na vida da criança e do adulto de amanhã. Observamos que a família colabora na construção do indivíduo.

Conforme comparação de Bahia, Ana Mercês a primeira educação reflete por toda vida.
A importância da primeira educação é tão grande na formação da pessoa que podemos compará-la ao alicerce da construção de uma casa. Depois, ao longo da sua vida, virão novas experiências que continuarão a construir a casa/indivíduo, relativizando o poder da família. (BAHIA, Ana Mercês; FUTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias, Uma Introdução Ao Estudo De Psicologia– Capítulo 17; Família... o que está acontecendo com ela? p. 332).

A falta de tempo causada pela dupla jornada de trabalho muitas vezes deixa as mães desapercebidas dos problemas emocionais e cognitivos dos filhos, fazemos essa observação não como uma crítica às mães, mas sim para tentar demonstrar como o modo de vida muitas vezes é prejudicial na educação dos filhos.

Sabemos que há uma necessidade do ser humano estar bem emocionalmente para aprender, porém a falta da família no amadurecimento das emoções da criança causa dificuldades na aprendizagem. Conforme já mencionado o habitus é um conceito utilizado por Pierry Bourdeieu, podemos dizer que os ''habitus'' são repassados pela família e sociedade que o indivíduo esta inserido, sendo assim a escola também é uma instituição encarregada na transmissão desses habitus, a escola é o local onde todo indivíduo é obrigado ser integrado. A educação nos primeiros anos da criança que antes era tarefa da mãe foi substituída e atualmente é tarefa das creches, escolinhas, televisão, etc., entretanto, estas instituições também colaboram para reprodução e na continuidade do modelo social/ econômico atual.

Mesmo com todos esses questionamentos acreditamos que nosso modo de produção pode nos proporcionar qualidade de vida, ideia que podemos questionar ao analisar pelo ponto de vista educacional.

Conforme afirmação da Psicóloga Isabela de França Meira ''a presença da mãe é de fundamental importância para que a criança se sinta segura e amparada durante a sua exploração do mundo em seus primeiros anos de vida''.


Considerações Finais

Acreditamos ser difícil fugir do modo de vida que estamos inseridos, mas, podemos questionar se ele tem nos feito o bem que almejamos. A vida profissional da mulher é importante, entretanto, a boa formação emocional, psíquica dos filhos são imensamente mais relevantes. A criança necessita da instrução e afeto maternal nos primeiros anos de aprendizado para desenvolver de maneira natural e saudável suas habilidades. As crianças de hoje serão os adultos do amanhã, uma sociedade para ser bem estruturada é importante pensarmos nas crianças e cuidarmos bem delas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURDIEU, Pierre; O Poder Simbólico; Tradução de Fernando Tomaz; Editora Bertrand Brasil S.A.; Rio de Janeiro – RJ;1989.

BAHIA, Ana Mercês; FUTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias, Uma Introdução Ao Estudo De Psicologia– Capítulo 17; Família... o que está acontecendo com ela? 13ª edição reformulada e ampliada— 1999 3ª tiragem — 2001 Editora Saraiva.

CASARIN, Nelson Elinton Fonseca, Trabalho de Conclusão de Curso - Família E Aprendizagem Escolar, Porto Alegre – 2007.

BARTHOLOMEU, Daniel; SISTO, Fermino Fernandes; RUEDA, Fabián Javier Marim. Dificuldades De Aprendizagem Na Escrita E Características Emocionais De Crianças. Jundiaí-SP, 2004.

MEIRA, Isabela de França, informações retiradas do blog; http://pedagogiadoser.blogspot.com.br em 09 de setembro de 2014, às 13:00 horas.

*Graduando do 4º semestre - História -Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Nova Andradina

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