Oferecer mais de uma dezena de opções de um mesmo carro parece ser uma receita de sucesso entre as picapes. A Fiat Strada, líder disparada no segmento das pequenas, tem seis versões diferentes, que ainda podem ganhar câmbio automatizado e diferencial blocante, elevando as opções para mais de 10. A campeã entre as médias, S10, quer seguir pelo mesmo caminho. Na linha 2015 serão 14 configurações à disposição do consumidor.
Há três motores (dois flex e um a diesel), três transmissões, cabine dupla ou estendida, tração em duas ou quatro rodas e três ofertas de equipamentos. Com preços entre R$ 69,8 mil e R$ 142,4 mil, parece um quebra-cabeça para o consumidor que adentrar à uma concessionária GM.
Mais é mais
A lógica, contudo, é simples. O motor 2.4 flex de 147 cavalos só está disponível na versão mais simples, LS. Nas outras duas versões, LT e LTZ, ele foi substituído pelo novo 2.5 Ecotec.
Inédito no Brasil, o propulsor já equipa o sedã Malibu e a picape Colorado nos Estados Unidos. Para atender ao consumidor local, se tornou flex e teve a potência elevada para 206 cv.
Além de beber etanol e gasolina, o Ecotec chega com uma série de tecnologias inéditas na S10. Com bloco de alumínio, também conta com duplo comando variável de válvulas e injeção direta de combustível, o que elimina o tanquinho de partida a frio. Somam-se ao moderno propulsor, controles de tração e estabilidade e o câmbio manual de seis marchas, além da possibilidade de tração 4x4 na versão flex.
Da água para o vinho
Foi com este conjunto que o G1 avaliou a nova S10 2015, na versão LTZ 4x4, de R$ 103,7 mil. O uso foi estritamente urbano. Antes disso, houve um rápido contato com o modelo 2014, em configuração semelhante, que acaba de deixar o mercado.
Quem conhece apenas a nova versão 2.5, sem nunca ter dirigido o modelo com o antigo motor 2.4, pode achar que a S10 está longe de oferecer o conforto necessário para os ocupantes ou o desempenho que um motor de mais de 200 cv sugere.
Porém, ao comparar com a “anêmica” S10 de 147 cv e o impreciso câmbio manual de cinco marchas, é possível afirmar que houve grande evolução. As retomadas ficaram mais vigorosas, e o torque de 27,3 kgfm é mais bem aproveitado pelo câmbio de seis marchas em qualquer faixa de rotação do motor.
Ainda é preciso reduzir uma ou duas marchas para vencer ladeiras mais íngremes ou realizar ultrapassagens, mas o escalonamento do câmbio melhorou consideravelmente, assim como as respostas do motor.
Outro ponto que merece destaque é o isolamento acústico e a redução nas vibrações. A antiga S10 era vibrante no pior sentido.
A 90 km/h, direção e câmbio trepidavam a ponto de irritar o motorista. A esta velocidade, o ruído do motor não "fazia" a menor cerimônia para invadir a cabine, como aquele convidado indesejado que chega em casa, vai logo mudando o canal da televisão e colocando os pés no sofá.
Mesmo com aumento considerável de potência, o consumo melhorou. Avaliada com etanol no tanque, a S10 2.4 teve média de 5,2 km/l, enquanto a picape, com o novo Ecotec conseguiu a marca de 5,6 km/l, ambas avaliadas em trajetos urbanos semelhantes.
Pula-pula
De acordo com a própria General Motors, dona da Chevrolet, uma queixa dos consumidores era o comportamento “molenga” da picape em uso urbano. Para resolver a questão, a suspensão, tanto dianteira, como traseira, foi recalibrada.
A Chevrolet afirma que trocou as buchas, que agora são mais rígidas. O resultado agrada, principalmente ao passar por superfícies onde o asfalto não é tão bom. Passageiros dos bancos traseiros, que antes sentiam qualquer irregularidade do piso agora viajam com mais conforto.
Nem tudo é perfeito
Com o novo motor, a “tremedeira” se foi, assim como o visitante barulhento. Porém, a qualidade questionável do acabamento continua lá.
Mesmo com a tentativa de melhorar a aparência da cabine, com um aplique de plástico preto brilhante no console, sobram plásticos duros, inferiores na comparação com as concorrentes, principalmente Volkswagen Amarok e Ford Ranger.
Se a qualidade não é das melhores, o visual agrada pela modernidade. Os comandos do ar-condicionado são posicionados de forma circular, com uma tela que indica a temperatura, intensidade e direcionamento ao centro.
Os grafismos do quadro de instrumentos não mudaram, e continuam de difícil leitura. A novidade, por ali, é o indicador de troca de marchas, que sugere mudanças conforme a rotação do motor sobe.
Multimídia
O MyLink da S10 é da versão mais completa, e tem, entre os recursos, sistema de navegação, conexão Bluetooth e entradas USB e auxiliar. Intuitiva, a central é fácil de ser utilizada, porém a sensibilidade da tela não é a ideal.
Muitas vezes, é necessário pressionar com mais força do que o desejado para que o comando seja executado. A conexão com dispositivos móveis, entretanto é rápida e simples, e permite que o usuário controle ligações e volume pelas teclas no volante.
Na navegação, os destinos podem ser inseridos mesmo com o veículo em movimento, e o mapa tem respostas ágeis, mesmo quando o motorista altera a rota previamente programada.
Boa de mercado
Líder de vendas no país, a S10 reina quase absoluta entre as picapes médias. Até outubro, foram 42.473 unidades vendidas, contra 34.521 Toyota Hilux. A vantagem pode ser explicada, também, pela enorme variedade de versões.
Na versão avaliada, com motor flex, tração 4x4 e câmbio manual, há apenas duas concorrentes, Hilux STD e Mitsubishi L200 HLS, versão mais básica da gama (confira tabela de concorrentes acima). A Ranger, com motor flex, tem tração 4x4 apenas em conjunto com câmbio automático, ou câmbio manual apenas com tração 4x2, enquanto Amarok e Nissan Frontier contam apenas com motorizações diesel.
Tendo em vista as duas concorrentes, já defasadas tecnologicamente, e com pacote de equipamentos mais modesto, a S10 amplia sua vantagem, oferecendo projeto mais moderno e visual mais em dia. Com a chegada da linha 2015 com o novo motor e ainda mais equipamentos, se arma para seguir líder, com folga, do seu segmento.

Auto Esporte
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!





