Há quem vê no poeta o saber
Vê flor e amor
Utopia.
Nos versos afetuosos
Ele esconde angústia e escuridão
Todos os alarmes gritam
Entre escritos escapando
Cursando as letras
Para não morrer de solidão.
Há quem vê no poeta
O rico escritor
Utopia.
És pobre de uma pobreza que o dinheiro não sana
Que os bens não o ganham
És pobre de afeto
E ainda que ame e o amem
És desprovido do amor.
Sempre falta um mais e um por que
Sempre falta um lugar e um encontro
Consigo e não contigo
Envolto a tanta gente
És tão carente.
Sozinho é tão cheio de si que rabisca
Aqui e ali
Em letras puídas, doídas.
Expondo o que lhe falta
E o que lhe sobra
Oras tanto, oras nada,
És o poeta do encanto
Que rima os cantos,
Que floreia o amor e por dentro sangra.
Incompreendido de si,
Nas analogias dos versos
Busca ser abrangido
Percorres poetizando
Granjeando sentido de vida,
Em cada palavra escrita.
Poeta somos todos nós
Que nas batalhas da vida
Mesmo perdidas
Permanecemos de pé
Buscando ter riso e fé.
Cada poeta se expressa distinto
Uns no retrato, outros na tinta do quadro,
Há quem canta ou dança,
Os que falam ou os que abraçam,
Quem ri e quem sonha.
E há os insanos que escrevem
Nos rabiscos o grito que não pôde calar,
O abraço incapaz de dar,
A música que não soube dançar,
Escreve a tinta que não quis pintar
Escreve sua tristeza
Num poema para encantar!
Utopia.
*Escritora e autora de quatro livros em Nova Andradina; “No seu olhar, No seu sorriso, Como está a sua Fé e Tempos que marcam”
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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