Com abertura do mercado chinês, exportações de carne bovina saltarão até 35% em 2015

“China poderá ser o principal destino da carne bovina in natura produzida e processada em Mato Grosso do Sul”.

José Antônio de Andrade


Após acordo bilateral entre Brasil e China, assinado pela presidente Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jinping, no último domingo (16), durante intervalo da reunião de Cúpula do G20, que permitiu à derrubada do embargo a carne bovina brasileira a China, o governo brasileiro espera uma expansão entre 30% e 35% nas exportações da carne bovina in natura em 2015. Vale ressaltar que a venda de carne bovina para o mercado chinês, estava embargada desde 2012 devido suspeita, não confirmada, de registro de mal da vaca louca, ocorrido no Paraná.

Com a medida o Brasil deve começar a embarcar carne bovina para a China, já na segunda quinzena de dezembro. A afirmação foi feita na tarde desta terça-feira, (18), pelo ministro da Agricultura, Neri Geller. A expectativa do governo brasileiro é vender entre 800 milhões de dólares e US$ 1,2 bilhão de dólares de carne, somente em 2015. Antes do embargo, o valor estava em torno de US$ 300 milhões.

Com a abertura total do mercado, a China poderá ser o principal destino da carne bovina brasileira, ultrapassando a Rússia, que atualmente ocupa o posto de principal destino das exportações brasileiras de carnes bovina in natura, com montante de cerca de 1,2 bilhão de dólares.

Vendas em alta neste ano
No acumulado do ano, a indústria de carne bovina brasileira vem mantendo o ritmo de crescimento e registra alta de 9,56% em faturamento com vendas externas e 5,13% em volume exportado entre janeiro e outubro, comparado com o mesmo período do ano passado. Em 2014, o país já exportou 1,307 milhão de toneladas ante 1,243 milhão em 2013. As vendas em 2014 alcançaram US$ 6 bilhões contra US$ 5,4 bilhões registrados no ano anterior.

Mercado em Mato Grosso do Sul eufórico
Os criadores em Mato Grosso do Sul, aguardam animados, com a perspectiva de um novo e grande mercado consumidor para a produção do estado. A avaliação foi feita recentemente, pelo presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Eduardo Riedel. Segundo ele, um brasileiro come 40 quilos de carnes por ano enquanto um chinês come quatro. Porém, a China tem 1,4 bilhão de pessoas e é um dos países onde o poder aquisitivo mais cresce no mundo, destacou.

Conforme dados da balança comercial de MS, no primeiro semestre deste ano, a carne desossada e congelada de bovinos ocupou a terceira posição no ranking estadual de receita com as exportações, com um faturamento de 294,018 milhões de dólares, o que representou um incremento de 24,39% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o estado vendeu para o mercado internacional 236,365 milhões de dólares do produto.

A tendência é de que esses valores sejam ainda maiores em MS, com a abertura do mercado chinês. Já que o estado é um dos maiores criadores de gado de corte do país, ocupando atualmente a terceira posição, com 22.325.663 bovinos, com participação de 10,9% no efetivo total nacional. O número fica atrás apenas do rebanho de Minas Gerais com 22.469.791 e do campeão Mato Grosso com 27.357.089.

Nova Andradina
Favorecidos pela alta dos preços da arroba do boi, os frigoríficos de Nova Andradina têm obtido ganhos com agregação de valor. Mesmo ainda não sendo possível ter em mãos, dados da balança e projeções futuras, sobre atividades de exportação dos frigoríficos, é possível que o município seja favorecido com o incremento tributário, e com geração de postos de trabalho, devido a maior expansão do abate para atender o mercado interno nacional.

Apenas a unidade frigorífica do JBS em Nova Andradina, abate em media 750 cabeças dia, empregando cerca de 700 funcionários. Se o frigorífico entrar na lista dos exportadores, para China ou outros países, terá de abater mais cabeças dia. Desta forma, a quantidade de funcionárias na unidade será insuficiente para atender a demanda, necessitando aumentar seu quadro de empregados.

Mais cara na mesa do brasileiro
Se por um lado, a notícia é boa, devido a expansão do setor para o comércio exterior, por outro lado pode afetar o mercado interno brasileiro, já que, se a demanda aumentar, o preço da carne no Brasil, que nesta quarta (19), estava cotada à R$ 137 no preço da arroba à vista em MS, também deve subir para os consumidores. No entanto, a cadeia tem um estoque farto, para ao menos não faltar o alimento para o brasileiro.

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