Sul-mato-grossense que vive em Paris fala sobre o atentado que chocou o mundo

Alexandre Rocha Neto, que nasceu em Campo Grande mas cresceu em Nova Andradina, fala do estado de alerta que Paris vive

Elaine Paes


O campo-grandense Alexandre Rocha Neto, que cresceu em Nova Andradina e há 4 anos vive em Paris, se diz sensibilizado com um dos maiores atentados terroristas da história recente do país europeu. “O ataque a Charles Hebdo foi do lado oposto de Paris de onde eu moro. Os franceses como todo o mundo estão bem sensibilizados com o que aconteceu e domingo haverá uma manifestação”, diz Alexandre à reportagem do Jornal da Nova.

Segundo ele, Paris é uma cidade que vive sempre em estado de alerta terrorista, mas não se imaginava que o ataque seria em uma redação. “Imagina-se que poderia ser na Torre Eiffel ou Champs Elisées”, diz ele, se referindo aos cartões postais mais famosos da cidade.

Sobre o ataque que provocou uma onda de indignação na França e gerou manifestações que reuniram mais de 100 mil pessoas para denunciar o terrorismo, Alexandre afirma que é uma questão difícil. “O brasileiro não conhece o terrorismo no sentido próprio da palavra, mas convive com a violência diária. Não critico e nem saí do Brasil por causa disso. Tem todo um contexto histórico. Eu saí de um país que tem 70 mil homicídio por ano e vivo em um país que tem menos de mil, sem contar as mortes no trânsito. É mais provável eu sofrer um acidente de carro dentro de Nova Andradina que ser vitima de um atentado terrorista em Paris”, considera. “Não existe sociedade perfeita, e todos corremos o risco de entrar na estatística dessas imperfeições. Minha rotina aqui na França não mudou e não vai mudar, mas acho que para o francês que não convive com a violência é muito mais chocante”, argumenta.

Outro nova-andradinense que visitou Paris esta semana é o jovem Matheus Santos de Oliveira, filho do advogado Gustavo Pagliarini, que fazia turismo no país, mas que deixou a capital francesa dois dias antes do atentado.

Na última quarta-feira, atiradores atacaram a sede do jornal satírico francês Charles Hebdo, deixando 12 mortos. Em busca de terroristas, França tem dois cercos policiais com reféns em andamento.

Com Arco do Triunfo ao fundo e ao lado do amigo Alexandre, Matheus registra momento turístico - Foto: Arquivo Pessoal

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