Fazer jornalismo com a segurança do sigilo das fontes

Existe uma necessidade atual de enquanto jornalista, o autor de investigações e pesquisas possam guardar suas fontes

*Claudinei Araújo dos Santos


Fico a me perguntar o que aconteceu com o jornalismo e as possíveis pressões nos meandros políticos de nosso país. Outro dia foi ouvido de um importante político nacional as palavras “cala a boca”, para alguém que o questionava e ainda continuou a destilar seus nervosos gritos contra o questionador representante de uma rede de televisão. Sabemos é claro que durante um período e ganhou continuidade, a mídia brasileira concordou em banalizar a política brasileira, em determinado momento podemos chamar e dizer que coadunou como o lawfare para colocar a população contra determinado grupo político.

No entanto, é preciso lembrar que tudo isso é parte de processo democrático da política, momento terrível é quando sabemos dos desmontes do mundo sociopolítico por atitudes ditatoriais, tirando o direito das mídias jornalísticas se posicionarem e questionarem as pólis e seus encontros sociais. Não é coerente nem moral inventar acontecimentos e fatos, todavia, é essencial observarmos a liberdade jornalística como fomento a liberdade de imprensa. O tema que hoje falamos leva em consideração a necessidade de termos um elo com o mundo globalizado também por meio das mídias jornalísticas, pois que, cabe a essas nos informarem e a população enquanto ente social questionar a realidade e as inverdades.

O mundo outro iniciou debates sobre a Rússia e Ucrânia, conflito que possivelmente poderia ser evitado, no entanto, nos vale procurar saber sobre os lados, isso chama-se democracia, poder ter lados a indagarmos em busca, como já dito, de uma possível verdade. Nesse sentido, é preciso ressaltar que transitando pelos anos que decorrem aos 21 anos de Ditadura Militar no Brasil, ressalta-se a necessidade de haver liberdade de imprensa e o sigilo das fontes. Não, não são os tempos do “Era no tempo do Rei”, como surgia o início do Livro de Manoel Antônio de Almeida ainda no século XIX, “Memórias de um Sargento de Milícias’, em que havia poder absoluto do rei, todavia, o que se deu nos anos de chumbo praticado por um regime ditatorial que perseguia e trazia intensa violência aos jornalistas brasileiros no decorrer dos anos de 1964 até alcançar 1985, quando retornou-se à redemocratização brasileira.

O ano de grande repercussão para o fomento a liberdade de imprensa e de justiça de transição no Brasil, é certamente 1988 – quando promulgada nova Constituição Federal e traz ao povo brasileiro momento idealizador para que a imprensa possa trabalhar de forma livre, inclusive tendo assegurada as condições de manterem sigilo de suas fontes de informativas.

É muito comum atualmente quando assistimos o jornalismo em canais de televisões neste país, ouvirmos, “segundo minha fonte que é segura no Planalto, o fato ocorrido tem veracidade e é possível afirmar”, deixa claro então que o jornalista está assegurado por manter sigilo sobre sua fonte, condicionando o profissional da área que mantenha segurança em manter guardado fornecedor de suas informações e, sobretudo, dar sentidos de uma verdade com o que aconteceu.

Nós historiadores, ao escrevermos temos critérios diferentes de mantermos as nossas provas, não é por acaso que citamos as fontes, as vezes chamamos de X ou Y (trabalhando memórias e oralidades, contudo, anexamos documentos aos escritos históricos, claro, tomamos princípios distintos do jornalismo, que se propõe a assegurar suas fontes, para novas e futuras atuações no âmbito jornalístico.

Existe uma necessidade atual de enquanto jornalista, o autor de investigações e pesquisas possam guardar suas fontes, uma vez que, as matérias deste tipo de profissão pode trazer a tona situações bastante sérias de uma cidade, de instituições, de pessoas, de crimes, de envolvimentos socioeconômicos, de exploração escravocratas, entre tantos outros fatores que causam necessidades de alimentarmos cada vez melhor as condições para que o jornalismo possa nos trazer informações decentes e coerentes.

Desta forma, queremos elencar nossas proximidades com o momento nível Brasil, pedindo que a liberdade de imprensa possa ser valorizada, sim, e principalmente que em todas as instâncias, sejamos cobertos pela dignidade das fontes, não é digno que qualquer instituição questionada possa querer obrigar a imprensa colocar em risco as condições do sigilo das fontes, é imprescindível salientar o Art. 7º. “No exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação não é permitido o anonimato. Será, no entanto, assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, rádio, repórteres ou comentaristas”.

Nesse sentido, sabendo do momento que vivemos, é necessário além de valorizarmos a imprensa a nível nacional, também tratarmos da necessidade de dignificar o sigilo das fontes, durante determinados momentos de nossa história, foi possível vermos jornalistas sofrerem gravemente com o poder estatal e ainda, coadunar com o risco de sobrevivência das fontes, uma imagem por detrás da tela configurada sem identificação, também é significância de que essa pessoa não anseia ser identificada, pois teme por sua segurança e de seus familiares, e/ou amigos, isso nos remete a dizer, é preciso ser muito bem conduzida, a garantia de sigilo das fontes.

*Licenciado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus de Nova Andradina (2010). Especialista em Relações Étnico-raciais, gênero e diferenças no contexto do ensino de História – UFMS (2019). Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - Campus de Três Lagoas - MS - 2015. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8695-0258  Lattes - http://lattes.cnpq.br/0752142583007499

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova

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