Mulheres Negras: PRESENTE!

*Myla Meneses


As mulheres negras tem sido parte importante da sociedade brasileira, como grupo social específico em defesa de seus interesses ou como parte do amplo contingente negros, que luta por justiça e inclusão social, fazendo de suas ações um cenário pontual que pode ser comprovado desde o regime escravocrata. De fato, as mulheres negras que constroem cotidianamente o Brasil como nação, sempre estiveram ligadas a uma realidade de exclusão e sonegadas de seus direitos perante a sociedade. Mas a história de luta dos movimentos negros e de mulheres negras no Brasil é marcada por atitudes que visam o fim do racismo das estruturas do estado brasileiro, a superação da desigualdade racial, através da garantia dos direitos e o aperfeiçoamento da democracia. As ações que apresentam limitações de ordem burocrática e de interesse de onde foram e por quem são desenvolvidas estas políticas. Segundo Lélia Gonzalez, o racismo pode apresentar taticamente duas formas para manter a “exploração/opressão”: o racismo aberto e o racismo disfarçado. A primeira forma é encontrada, principalmente, nos países de origem anglo-saxônica, e a segunda predomina nas sociedades de origem latina. No racismo disfarçado, “prevalecem as ‘teorias’ da miscigenação, da assimilação e da ‘democracia racial’”, e essa forma de se manifestar, afirma, o pensar no Brasil, impede a “consciência objetiva desse racismo sem disfarces e o conhecimento direto de suas práticas cruéis”, pois a crença historicamente construída sobre a miscigenação criou o mito da inexistência do racismo em nosso país.

E o mais alarmante, nos últimos tempos, é que pesquisam apontam dados preocupantes em relação a tendência crescente dos discursos de ódio e intolerância nas redes sociais no Brasil. O Facebook está em primeiro lugar, onde mais 80% das vítimas de mensagens racistas são mulheres negras na faixa etária de 20-35 anos. Sabemos que a maioria destes discursos preconceituosos vem de rapazes jovens de no máximo 20 poucos anos.

Acostumados a transmitir e perpetuar este comportamento através de piadas depreciativas e de mau gosto contra mulheres negras. Estamos diante de uma perigosa e alarmante rede ideológica, motivada pela crença do pseudo- anonimato das redes sociais, que funciona como uma cortina de fumaça, que os protege civilmente por seus atos. Ampliando cada vez mais as redes de conectados influenciados pela já tocante e tradicional motivação pelo branqueamento da nossa sociedade. Um discurso associado a crença de que branquitude é sinônimo de modernidade, beleza, civilidade e inteligência, enquanto a negritude seria oposto, disso tudo. Afinal, são apenas “piadinhas, brincadeiras, diversão, não é nada demais”

É preciso mostrar e deixar claro, que ao espalhar estes discursos preconceituosos e racistas por toda parte, e especialmente, pelas redes sociais, os sujeitos estão na verdade tentando negar e disfarçar a crescente ascensão social, que a mulheres negras estão alcançando dentro da sociedade, é como se insistissem no velho comportamento  marcado pela linha do invisível que separa e marca a hierarquia social e racial brasileira, a qual não reconhece a elas o direito e privilégio de ocupar determinados lugares. Como afirma Hall “a África é o significante, a metáfora, para aquela dimensão da sociedade e história que foi maciçamente suprimida, sistematicamente negada e isso, apesar de tudo que ocorreu permaneceu assim”. Para a assimilação de tal fenômeno em relação a mulher negra, há que se considerar a importância de um novo conceito, já respeitado como de grande relevância. A medida que elas, passaram a pertencer e assumir papéis predominantes e de destaque com posturas ativas e de relevância dentro da sociedade, como atrizes de destaque, médicas, pesquisadoras, professoras, cargos políticos entre outras, e este fenômeno causa profundo incômodo nos defensores destas ideologias preconceituosas e racistas.

Assim, é necessário haver o entendimento de que mulheres negras ocuparam seu lugar na sociedade de forma diferenciada e sua inserção está acontecendo de forma gradativa, mas ascendente, quando comparadas a mulheres brancas ou a homens negros, por exemplo. Consistindo-se, também, que a estas categorias somavam-se outras, como as de classe social, territorialidade ou geração contribuindo para a conformação de um quadro de desigualdades muito particular da sociedade brasileira. Este tipo de comportamento racista e preconceituoso acentuado, infelizmente, gera um resultado que só reforça, cada vez mais o estereótipo negativo e limitado dado a mulher negra no Brasil. É preciso lutar e mudar!

*Ativista do Movimento Negro- Membro da Diretoria do Grupo TEZ (Estudos Zumbi), Especialista em Educação à Distância pela UCDB- Campo Grande, licenciatura em História pela UniFAA- Valença- RJ, Mestra em História do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), Linha de Pesquisa Fronteiras, identidades e representações pela UFGD. Contatos: Instagran: @profamylaartigotcc/ Email: assessoriaprof.myla@gmail.com

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova

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