Jeito Muricy causa boa impressão internacional em primeira coletiva

Gazeta Esportiva


O comportamento de Muricy Ramalho ao vivo diante do microfone foi aprovado pela imprensa internacional depois da primeira entrevista coletiva do comandante santista no Japão. Conhecido no Brasil pela maneira muitas vezes dura de devolver perguntas, o treinador não se irritou em nenhuma das seis respostas que deu, ao lado dos jogadores Neymar e Elano, e causou boa impressão aos estrangeiros em seu primeiro grande momento em contexto mundial.

Apesar de o técnico ter sido questionado bem menos vezes do que o comum - pois havia ainda dois atletas atendendo a imprensa -, a entrevista durou 48 minutos. A demora se deveu à necessidade de tradução para três idiomas (português, japonês e inglês) de tudo o que saía no alto-falante. Durante o serviço dos intérpretes, Muricy pôde suspirar, cutucar a mesa, beber água, sorrir, bocejar e limpar os o lhos antes de retornar ao seu quarto e preparar o treinamento da tarde.

 

Correspondente do jornal japonês The Hochi em Madri, Seiko Okano saiu bastante satisfeita da coletiva, realizada na sala de convenções do hotel em que o time ficará concentrado em Nagoya até a estreia no Mundial de Clubes. "É uma pessoa muito agradável, simpática, fala o que pensa, diferentemente dos treinadores europeus, que não nos dizem o que sentem de verdade. O Muricy é sincero, parece sempre render boas entrevistas", comentou a jornalista local, que viu o santista, por exemplo, avisar que só daria nota 10 ao técnico do Barcelona, Josep Guardiola, se ele fosse campeão no Brasil.

Muricy dá Barcelona como favorito, mas sem nota máxima ao seu treinador

Willie Gonzalez, do Milenio Diario, fez avaliação muito parecida. O enviado mexicano inclusive quase duvidou do costumeiro mau humor de Muricy. "Ele nos parece ser uma boa pessoa e um bom treinador desde que dirigiu o Puebla (clube do México), em 1993. Gostamos muito de brasileiros. Nossos países se aproximaram depois da Copa do Mundo de 1970 (disputada no México e vencida pela seleção verde-amarela). Mas, não sei, talvez ele tenha mudado a relação com a imprensa desde a passagem pelo México, afinal já foram quase 20 anos", analisou o periodista de Monterrey.

O Puebla foi a primeira equipe comandada por Muricy ao término da carreira como atleta. No intervalo até chegar ao Santos, ele passou por mais 12 clubes, sendo um deles o chinês Shanghai Shenhua, em 1998. Multicampeão e criador da expressão "aqui é trabalho, meu filho", ele não tende a ser tão calmo com as câmeras ligadas. Como aconteceu ao final dessa própria entrevista. No momento em que abandonava a sala, ele se desvencilhou às pressas dos jornalistas e reclamou com seu tradicional jeitão rabugento. "Fala que tem que acabar, mas não acaba nunca", disse.

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