Cidades & Região / Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul entra em período de maior risco para acidentes com escorpiões
Os dados mostram crescimento constante: em 2020, foram 2.952 casos; em 2023, o número saltou para 5.303
Luis Gustavo, Da Redação
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) alerta a população para o início da temporada de maior atividade de escorpiões no Estado. Entre agosto e novembro, com o aumento das temperaturas e da umidade, cresce significativamente o número de registros de acidentes.
Somente até julho de 2025, foram notificadas 3.436 ocorrências, número que deve aumentar nas próximas semanas.
Segundo o biólogo Isaías Pinheiro, a elevação do calor e da umidade cria condições ideais para a reprodução e o deslocamento desses animais.
“Durante o inverno, os casos diminuem, mas, com o fim do frio e o início do calor, vemos um aumento rápido nos registros. É um fenômeno sazonal, potencializado pelo período reprodutivo dos escorpiões”, explica.
Casos em alta nos últimos anos
Os dados mostram crescimento constante: em 2020, foram 2.952 casos; em 2023, o número saltou para 5.303. Campo Grande lidera as notificações, seguida por Três Lagoas e Dourados.
Embora a maioria das ocorrências seja de baixa gravidade, 60% dos casos graves envolvem crianças com menos de 10 anos. Duas mortes infantis recentes reforçaram o alerta.
“Mantemos vigilância ativa e estrutura hospitalar preparada, com soro antiescorpiônico disponível em todas as regiões”, afirma Karyston Adriel, coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental da SES.
Soro disponível em 67 municípios
O tratamento está presente em hospitais estratégicos, como o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, e em unidades de cidades com alta incidência, como Três Lagoas, Corumbá e Dourados. O Estado também disponibiliza o Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica), que orienta população e profissionais de saúde.
Monitoramento e prevenção
O acompanhamento é feito pela Vigilância em Saúde Ambiental, que também monitora cobras e abelhas, espécies que intensificam a atividade nos meses quentes. Em MS, o Tityus serrulatus — o escorpião-amarelo mais perigoso — representa risco elevado, especialmente para crianças.
Como não é possível erradicar a espécie, a SES recomenda práticas simples para reduzir os riscos:
- Manter camas afastadas das paredes;
- Não deixar cobertores encostando no chão;
- Conferir roupas, calçados e lençóis antes de usar;
- Fechar ralos e tampar pias e tanques;
- Evitar acúmulo de entulho;
- Controlar baratas, principal alimento dos escorpiões, com dedetização a cada 3 a 6 meses.
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