Nacional & Geral / Política
Governo reformula Auxílio Gás e pretende garantir acesso direto ao botijão para famílias de baixa renda
Diferença de preço entre regiões deixa benefício atual insuficiente
Luis Gustavo, Da Redação*
O governo federal anunciou a reformulação do Auxílio Gás, com a promessa de garantir que as famílias de baixa renda tenham acesso direto ao botijão de gás de cozinha (GLP), em vez de apenas receberem um valor em dinheiro. A medida, que deve ser lançada na próxima semana, visa resolver a disparidade de preços do produto em diferentes regiões do país.
A proposta foi detalhada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo ele, o novo modelo permitirá que as famílias recebam um "vale crédito" a ser utilizado em distribuidoras cadastradas, bastando apenas a apresentação do CPF.
Benefício em expansão
Atualmente, cerca de 5,6 milhões de famílias, que estão no Cadastro Único (CadÚnico) e têm renda igual ou inferior a meio salário mínimo, recebem o Auxílio Gás. O valor, de R$ 108 a cada dois meses, corresponde a 100% da média nacional do preço do botijão de 13kg.
Com a reformulação, o governo planeja expandir o programa. “O programa está pronto e será lançado na semana que vem. Ele vai crescer gradualmente. Em março, chegará a 15,5 milhões de famílias”, destacou o ministro, prevendo alcançar mais de 20 milhões de famílias no futuro. Para 2026, estão previstos R$ 13,6 bilhões em recursos.
Por que a mudança?
A principal justificativa para a alteração é a grande variação de preços do botijão de gás no Brasil. O valor fixo do auxílio, calculado com base na média nacional, muitas vezes não é suficiente para comprar o produto em locais onde o preço é mais alto.
"Estamos falando de um valor médio, no Brasil, entre R$ 105 e R$ 109 o botijão, sendo que ele é vendido em algumas localidades a R$ 160 ou R$ 170. Há uma disparidade muito grande de preço, a depender da distância; da localização da cidade; da região”, explicou Rui Costa. Com o novo sistema, o governo espera garantir que o benefício cubra o custo real do produto, independentemente da localidade.
Mais que um benefício, uma questão de segurança
Além dos benefícios econômicos, o ministro ressaltou que a medida também tem um impacto social e de segurança. Ele destacou que a falta de acesso ao gás leva muitas famílias a buscarem alternativas perigosas para cozinhar, como o uso de álcool ou outros líquidos inflamáveis.
“Com isso, além dos efeitos econômicos de possibilitar que a pessoa tenha dignidade para cozinhar seus alimentos, vamos reduzir muito o índice de queimaduras de crianças e mulheres em acidentes domésticos”, complementou Costa. A mudança, portanto, é apresentada como uma forma de promover a dignidade e a segurança das famílias mais vulneráveis do país.
*Com informações da Agência Brasil.
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