Nacional & Geral / Saúde
Excesso de peso: O elo perigoso com o câncer e como se proteger
Novos estudos comprovam que o excesso de peso, sobretudo o acúmulo na região abdominal, está relacionado com o aumento do risco de tumores no intestino
Luis Gustavo, Da Redação*
Há muito tempo, a obesidade é reconhecida como um fator de risco significativo para doenças cardiovasculares e diabetes. No entanto, uma crescente base de evidências científicas vem reforçando que o excesso de peso também engrossa a lista de ameaças, sendo um potente aliado no desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Especialistas alertam que a obesidade já figura como o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, perdendo apenas para o tabagismo.
Uma meta-análise robusta, que compilou resultados de diversas pesquisas, revelou que indivíduos com obesidade possuem um risco de 25% a 57% maior de desenvolver câncer colorretal. Além disso, um estudo recente publicado no periódico Jama Network aponta um risco ainda mais específico: o acúmulo de gordura na região abdominal, conhecida como obesidade central, está diretamente ligado ao risco de tumores intestinais.
Pesquisadores alemães analisaram dados de mais de 450 mil participantes do UK Biobank, um extenso estudo britânico, e concluíram que a circunferência abdominal é um parâmetro crucial. "Esse artigo destaca a importância da medida da circunferência abdominal como parâmetro para avaliar o aumento do risco de câncer colorretal", comenta a endocrinologista Cláudia Schimidt, do Einstein Hospital Israelita.
A gordura abdominal não é apenas um mero depósito; ela é um tecido endócrino ativo, capaz de produzir diversas substâncias, incluindo as pró-inflamatórias. Evidências sugerem que inflamações crônicas e em baixa escala podem desencadear danos celulares e, consequentemente, o desenvolvimento do câncer. Além disso, desequilíbrios hormonais, comuns na síndrome metabólica, e a resistência à insulina, um distúrbio no metabolismo da glicose, também são apontados como colaboradores na gênese tumoral.
Estratégias para Reduzir o Risco
Diante desse cenário, estratégias eficazes para prevenir a obesidade e combater o sedentarismo emergem como pilares fundamentais na redução do risco de câncer. O oncologista Alexandre Palladino, chefe do setor de Oncologia Clínica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), reitera: "Hoje a obesidade é considerada como o segundo maior fator de risco evitável para o câncer."
A prevalência da obesidade em muitos países tem atingido níveis epidêmicos, e a incidência continua em ascensão. "Há a necessidade urgente de políticas de saúde públicas para intervenções eficazes", diz a endocrinologista Cláudia Schimidt, do Einstein. Ela enfatiza a importância de espaços seguros e acessíveis para a prática de atividade física, como quadras, praças e parques, no cotidiano da população.
O Poder do Prato: Alimentação Saudável
A alimentação saudável desempenha um papel crucial nesse contexto. Grande parte dos estudos recomenda uma dieta baseada em itens vegetais e a redução do consumo de carne vermelha. Um estudo recente, publicado no periódico científico Frontiers in Medicine, corrobora o elo entre o consumo de carne e o risco de câncer.
A dieta mediterrânea, rica em hortaliças, grãos integrais, legumes, feijões, frutas, sementes, com espaço para laticínios magros e pescados, é citada como um modelo a ser seguido. A dica é priorizar alimentos regionais e sazonais, que tendem a ser mais frescos, saborosos e nutritivos.
"Para reduzir o risco do câncer colorretal, as fibras são essenciais", reforça o oncologista do Inca. Presentes em grande parte dos alimentos vegetais, as fibras zelam pela integridade intestinal, combatendo a constipação e protegendo as mucosas do contato com moléculas perigosas. Elas também são fundamentais para a saúde da microbiota intestinal.
A disbiose, um desequilíbrio na população de bactérias intestinais, com predominância de micróbios patogênicos, tem sido associada a danos à permeabilidade do intestino, permitindo que micro-organismos nocivos viajem pela circulação e desencadeiem inflamações. Fibras e probióticos (presentes em leites e iogurtes com bactérias benéficas) contribuem para a harmonia da microbiota, favorecendo a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), que teriam ação anti-inflamatória e protetora das células intestinais.
A Importância do Check-up
Por fim, manter os exames em dia é um recado vital. "As últimas diretrizes recomendam fazer a colonoscopia a partir dos 45 anos", avisa Palladino. Para quem possui histórico familiar de câncer, a conversa com o médico para antecipar o exame é fundamental. O diagnóstico precoce continua sendo uma das estratégias mais eficazes para o sucesso do tratamento e a superação da doença. *Com informações da CNN.
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!





