Cidades & Região / Mato Grosso do Sul
Biometano se consolida como pilar da transição energética em Mato Grosso do Sul
Evento da Biosul destaca combustível como alternativa limpa ao diesel e motor para o Estado Carbono Neutro
Luis Gustavo, Da Redação*
O biometano desponta como a chave para a descarbonização do setor de transporte, emitindo oito vezes menos gás carbônico que o óleo diesel. Produzido principalmente a partir da biomassa de cana, o biocombustível vem ganhando espaço na frota de veículos pesados e se consolidando como alternativa limpa, competitiva e estratégica para que Mato Grosso do Sul alcance a meta de se tornar Estado Carbono Neutro.
Essa foi uma das principais constatações do encontro realizado ontem (24) na sede da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. O evento reuniu autoridades, especialistas e lideranças do setor energético, entre eles o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto, o presidente da Biosul, Amaury Pekelman, e o CEO da ZEG Biogás, Rodrigo Nogueira. Também participaram representantes da AGE-MS, MSGás, Fiems, UEMS, UFMS, Senai e parceiros estratégicos.
Potencial do setor
Com 22 usinas, o setor sucroenergético sul-mato-grossense é um dos protagonistas nacionais na produção de biometano. Exemplo disso é a Adecoagro, em Ivinhema, que atualmente gera 6 mil metros cúbicos diários do biocombustível e deve ampliar sua capacidade para 35 mil m³ até 2027, em um investimento de R$ 225 milhões. O projeto aproveita a vinhaça da produção de etanol, utilizando apenas 25% do seu potencial.
Outro grande empreendimento foi anunciado pela Atvos, que vai construir uma planta de biometano em Nova Alvorada do Sul, com aporte de R$ 360 milhões. Esses investimentos reforçam o papel do biometano como um dos pilares da matriz energética estadual.
Energia limpa e competitividade
O presidente da Biosul, Amaury Pekelman, destacou que Mato Grosso do Sul já é referência nacional em energia renovável:
“O biogás e o biometano se consolidam como novas fronteiras desse avanço. Temos disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura e ambiente regulatório favorável. Isso cria condições para investimentos consistentes e geração de valor. O biometano é segurança energética, competitividade industrial e redução de emissões. É o combustível do futuro, já presente em nosso Estado”, afirmou.
Pesquisa, tecnologia e desafios
A reunião também contou com a participação de universidades e do Senai, reforçando a importância da pesquisa para o avanço do setor. Foram discutidos gargalos de infraestrutura, tecnologia e a necessidade de ampliar o tratamento de resíduos sólidos, além das metas nacionais de redução das emissões de metano (CH4).
O secretário Jaime Verruck ressaltou que o biometano tem o mesmo perfil molecular do gás natural, o que facilita sua utilização como energia complementar na frota de veículos.
“Não se trata de substituição, mas de complementação. O Estado tem avançado com incentivos fiscais para a produção de biometano, em consonância com a estratégia de Carbono Neutro 2030”, frisou.
Ele reforçou ainda o compromisso do governo em oferecer financiamentos verdes e atrair novos investimentos para consolidar o setor.
“O biometano está no centro da estratégia de descarbonização do Governo de Mato Grosso do Sul, com resultados concretos. É uma agenda prioritária que une sustentabilidade, inovação e desenvolvimento”, concluiu. *Com informações da Semadesc.
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