Nacional & Geral / Ciência e Física
Chuva de meteoros Orionídeas ilumina o céu brasileiro esta semana
Chuva de Meteoros Orionídeas Ilumina o Céu Brasileiro Esta Semana Fenômeno, originado dos detritos do Cometa Halley, promete espetáculo de "estrelas cadentes" rápidas e brilhantes; melhor observação será da meia-noite ao amanhecer
Luis Gustavo, Da Redação*
Esta semana, os olhos dos brasileiros e de observadores em diversas partes do planeta estarão voltados para o céu, aguardando o pico da chuva de meteoros Orionídeas. Considerado o melhor momento para apreciar este espetáculo cósmico, o fenômeno será visível de qualquer região do Brasil.
De acordo com o Observatório Nacional (ON), as noites de terça-feira (21) para quarta-feira (22) e de quarta-feira para quinta-feira (23) serão os períodos ideais para a observação, com o pico ocorrendo entre a meia-noite e o amanhecer. A visibilidade é classificada como "excelente" em todo o território nacional.
O astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss – uma rede colaborativa de estudo de meteoros apoiada pelo Observatório Nacional – destaca que a chuva será marcada por meteoros "extremamente rápidos", podendo atingir 66 quilômetros por hora, além de serem brilhantes e deixarem trilhas luminosas no céu.
O nome "Orionídeas" remete à constelação de Órion, de onde os meteoros parecem "nascer", próximos à estrela Betelgeuse. Órion, uma das constelações mais conhecidas e facilmente identificáveis pelas famosas Três Marias em seu centro, é um gigante caçador na mitologia grega. Apesar de sua origem aparente, os meteoros podem surgir em qualquer parte do firmamento. O Projeto Exoss garante que, embora as regiões Norte e Nordeste tenham uma leve vantagem pela maior altitude do radiante, "mesmo no Sul, é um show garantido."
Como acompanhar o espetáculo
Um fator que favorece a observação das Orionídeas é a coincidência com a Lua Nova, que estará apenas 2% iluminada e se pondo cedo. Isso resultará em um céu escuro durante toda a noite, otimizando as chances de visualização. Sob condições ideais, os observadores podem esperar ver entre 15 e 20 meteoros por hora.
Para acompanhar o fenômeno, o Observatório Nacional informa que não é necessário equipamento especial ou conhecimento específico. A principal recomendação é buscar um local escuro, preferencialmente afastado das grandes cidades para evitar a poluição luminosa, e apagar as luzes ao redor. Além disso, um tempo bom, sem nuvens, é imprescindível. A Nasa, agência espacial americana, sugere que, em menos de 30 minutos no escuro, os olhos se adaptam, facilitando a observação. "Seja paciente, a tempestade dura até amanhecer, tem muito tempo para captar", aconselha a agência.
O que são chuvas de meteoros?
As chuvas de meteoros são resultado da passagem de cometas, que deixam para trás detritos – os chamados meteoroides – à deriva no espaço. O brilho que observamos da Terra ocorre quando essas rochas entram em altíssima velocidade na atmosfera terrestre e se desintegram. Ao enfrentar a resistência do ar, o meteoroide sofre um processo de queima conhecido como ablação, formando um rastro luminoso. Quando este fenômeno se manifesta em grande quantidade, ele é denominado chuva de meteoros.
Isso acontece quando o planeta cruza uma dessas zonas de detritos. No caso das Orionídeas, os fragmentos são originários do famoso Cometa Halley, que orbita o sistema solar e se aproxima da Terra a cada 75-76 anos. A passagem do Halley é responsável por duas chuvas de meteoros anuais: as Orionídeas, de 2 de outubro a 12 de novembro – período em que a Terra atravessa a parte mais densa e empoeirada desses detritos – e as Eta Aquarídeas, em maio.
Rápidos e brilhantes: O legado do Halley
Os meteoroides são geralmente pequenos, variando de partículas de poeira a pedregulhos, e quase sempre se desintegram rapidamente na atmosfera. A Nasa explica que, além das trilhas que podem durar de segundos a minutos, os meteoros mais velozes podem criar o efeito de "bola de fogo". Quando um fragmento de rocha espacial consegue resistir à entrada na atmosfera e atinge a superfície terrestre, ele passa a ser chamado de meteorito.
Além de serem um espetáculo visual, as chuvas de meteoros possuem grande utilidade científica. O Observatório Nacional destaca que o estudo desses fenômenos permite estimar a quantidade e o período de maior penetração de detritos na Terra, auxiliando missões espaciais e centros de controle de satélites na elaboração de meios de proteção para suas naves e equipamentos. Outra linha de pesquisa envolve a análise das propriedades dos meteoros para inferir características dos cometas, contribuindo para o estudo da formação do Sistema Solar.
O Cometa Halley, cuja última observação da Terra ocorreu em 1986, foi descoberto em 1705 por Edmond Halley. Com dimensões de 16 x 8 x 8 quilômetros, ele é um dos objetos mais escuros do Sistema Solar, refletindo apenas 3% da luz solar que recebe. *Com informações da Agência Brasil.
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