Nacional & Geral / Saúde
Ministro da Saúde reforça prioridade em novas tecnologias de prevenção ao HIV
Pasta também defende acesso ao lenacapavir no SUS
Luis Gustavo, Da Redação*
No Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado nesta segunda-feira (1º), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ampliação do acesso a novas estratégias de prevenção ao HIV é uma prioridade do governo federal. Entre as iniciativas citadas está a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) de medicamentos de longa duração, como o lenacapavir — ainda sem registro sanitário no Brasil.
Desenvolvido pela farmacêutica Gilead, o lenacapavir é um antirretroviral injetável aplicado a cada seis meses para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Considerado um avanço na prevenção, o medicamento pode substituir o regime atual de comprimidos diários, facilitando a adesão, sobretudo entre jovens e populações vulneráveis. Estudos clínicos apontam elevada eficácia na prevenção da infecção pelo HIV.
Durante o lançamento da campanha “Nascer sem HIV, viver sem aids” e da exposição que comemora 40 anos da resposta brasileira à epidemia, no SESI Lab, em Brasília, Padilha ressaltou que o país participou de estudos clínicos com a droga e busca viabilizar uma proposta concreta que inclua transferência de tecnologia.
Segundo o ministro, apesar do potencial do medicamento, o preço imposto pela fabricante dificulta a adoção em sistemas de saúde pública. Países de baixa renda terão acesso a versões genéricas por cerca de US$ 40 a cada seis meses, mas nações de renda média — como o Brasil — ficaram de fora do acordo. Nos Estados Unidos, o custo anual supera US$ 28 mil por pessoa.
Representantes da sociedade civil reforçaram a necessidade de autonomia tecnológica. Carla Almeida, da Articulação Nacional de Luta contra a Aids, afirmou que, caso não haja avanço em negociações, o governo deve considerar mecanismos como o licenciamento compulsório.
Avanços na prevenção e no tratamento
O Ministério da Saúde tem ampliado as estratégias de prevenção combinada. Além da PrEP e da PEP, houve reforço na distribuição de preservativos, com a compra de 190 milhões de unidades de modelos texturizados e sensitivos, voltados especialmente ao público jovem.
O uso da PrEP cresceu mais de 150% desde 2023, alcançando 140 mil usuários. A expansão da testagem também foi reforçada com a aquisição de 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis (65% a mais que no ano anterior) e a distribuição de 780 mil autotestes.
No tratamento, o SUS mantém oferta gratuita de antirretrovirais, incluindo o comprimido único de lamivudina e dolutegravir, usado por mais de 225 mil pessoas. O esquema diário favorece a adesão e melhora a qualidade de vida.
Com esses avanços, o Brasil se aproxima das metas globais 95-95-95: diagnosticar 95% das pessoas vivendo com HIV, tratar 95% delas e garantir supressão viral em 95% dos tratados. Duas das três metas já foram atingidas.
Redução de mortes e eliminação da transmissão vertical
O novo boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira aponta queda de 13% nos óbitos por aids entre 2023 e 2024 — de pouco mais de 10 mil para 9,1 mil mortes. É a primeira vez, em três décadas, que o número fica abaixo de 10 mil. Os casos de aids também caíram 1,5% no período.
Outro marco é o avanço na eliminação da transmissão vertical do HIV, quando a infecção passa da mãe para o bebê. Padilha afirmou que o relatório já foi apresentado à Organização Mundial da Saúde e que o reconhecimento oficial deve ocorrer ainda em dezembro. Caso confirmado, o Brasil será o maior país do mundo a alcançar esse patamar, juntando-se a Chile, Cuba e Canadá no continente americano. *Com informações da Agência Brasil.
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