Estudo aponta perdas de R$ 38,8 bilhões por ano com apostas online no Brasil

Perdas estão associadas a danos como depressão e desemprego

Luis Gustavo, Da Redação*


Um estudo divulgado nesta terça-feira (2) estima que os jogos de azar e as apostas online provocam perdas econômicas e sociais de R$ 38,8 bilhões ao ano no Brasil. O levantamento, chamado A saúde dos brasileiros em jogo, calcula desde impactos na saúde mental até custos com desemprego, criminalidade e moradia.

 

O trabalho foi realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela organização Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental.

 

Segundo a pesquisa, o país teve 17,7 milhões de apostadores em apenas seis meses, e cerca de 12,8 milhões de pessoas estão em situação de risco. As perdas incluem R$ 17 bilhões atribuídos a mortes adicionais por suicídio e R$ 10,4 bilhões por redução da qualidade de vida decorrente de depressão. Quase 80% dos danos totais estão ligados à saúde.

 

Apesar do volume movimentado — brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets em 2024 — a arrecadação é considerada insuficiente. Até setembro de 2025, a receita tributária somou R$ 6,8 bilhões, chegando perto de R$ 8 bilhões em outubro. O estudo aponta que apenas 1% desse montante foi destinado ao Ministério da Saúde.

 

O setor também contribui pouco para geração de empregos: segundo dados oficiais, existem apenas 1.144 postos formais, e a informalidade chega a 84%. Cada trabalhador formal gera cerca de R$ 3 milhões por mês em receitas para as empresas, mas recebe apenas 0,34% desse valor.

 

Os autores criticam o crescimento acelerado das apostas online sem regulação adequada e lembram que países como o Reino Unido adotam medidas rígidas de controle, como autoexclusão, forte limitação à publicidade e destinação de parte dos impostos para tratamento de jogadores.

 

O estudo sugere que o Brasil aumente a parcela de tributos destinada à saúde, restrinja publicidade, amplie o treinamento de profissionais do SUS e adote regras mais duras para as empresas. Para especialistas, sem regulação firme e fiscalização rigorosa, aumentam os riscos de endividamento, adoecimento e agravamento de transtornos mentais.

 

Já o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa 75% do mercado de apostas, é contrário ao aumento da tributação, alegando que isso pode fortalecer o mercado clandestino. A entidade estima que mais de 51% das apostas online no país operam ilegalmente. *Com informações da Agência Brasil.

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