Nacional & Geral / Cotidiano
Viagens sem carro próprio: como os brasileiros estão se deslocando
Como mudanças no comportamento dos viajantes, novas rotas terrestres e avanço do mercado de locação vêm influenciando a mobilidade turística no país
Da Redação
Muitos brasileiros têm repensado a necessidade de viajar usando o carro da família. O que era visto como natural – pegar a estrada com o automóvel próprio – vem dividindo espaço com alternativas mais flexíveis.
Esse movimento pode refletir tanto preocupações financeiras quanto desejo por autonomia, sem a obrigação de manter um veículo.
Interiorização do turismo e escolhas de transporte
Segundo a pesquisa “Tendências de Turismo”, do Ministério do Turismo (MTur), 74% dos brasileiros que planejam viagens de lazer usam carro próprio ou ônibus para se deslocar. A mesma pesquisa, com 2.029 entrevistados em todas as unidades da federação, mostra que 64% das pessoas preferem destinos menos movimentados, como cidades no interior.
No modal rodoviário, 29% dos viajantes escolhem o ônibus, sendo que 66% dessas viagens são feitas em linhas convencionais, ainda de acordo com o estudo do MTur.
Além disso, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) projeta que, em períodos como o pré-carnaval, a oferta de horários intermunicipais aumente significativamente, para atender à demanda por destinos interioranos.
Esse cenário evidencia que muitos viajantes priorizam a mobilidade rodoviária, mas nem todos têm carro à disposição, e é nessa lacuna que cresce a relevância de outras formas de locomoção.
Roteiros sem carro: ônibus e trem como alternativas viáveis
Para quem decide viajar sem depender do automóvel familiar, rotas de ônibus e trem são opções bastante práticas e já bem utilizadas. Por exemplo, saindo de São Paulo, é possível chegar a Paraty (RJ) em cerca de 6 horas de ônibus, com preços entre R$ 100 e R$ 200, dependendo da empresa e do tipo de serviço (leito, semileito, etc.).
Também é viável ir a Florianópolis (SC) de ônibus noturno, em cerca de 12 horas, pagando entre R$ 200 e R$ 400. Após a chegada, é possível usar transporte público para se deslocar dentro da cidade, já que a tarifa local de ônibus é de, aproximadamente, R$ 6.
Além disso, no interior paulista, cidades como Guararema podem ser alcançadas de trem (Maria Fumaça) saindo da estação central. A viagem pode se tornar uma experiência turística mesmo sem precisar alugar carro.
Esses roteiros mostram que é perfeitamente possível planejar férias ou escapadas relaxantes sem precisar depender de veículo próprio, uma opção especialmente atrativa para quem não quer arcar com o ônus de manter um carro ou simplesmente não tem um à disposição.
A força da locação de veículos no turismo interno
Apesar do uso intenso de ônibus e trens, muitos viajantes podem optar por alugar veículos para obter maior autonomia durante a estadia. No primeiro semestre de 2025, foram alugados 455 mil carros para fins turísticos no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA).
Esse crescimento não é isolado. O setor de locação de veículos registrou faturamento bruto recorde de R$ 52,9 bilhões em 2024, o que representa um salto de 17,8%, em comparação ao ano anterior.
Ainda, ao final de 2024, havia 31.487 locadoras ativas no Brasil, um aumento de 19,2%, em relação a 2023, segundo a ABLA.
Com esse cenário, a frota dessas empresas chegou a, aproximadamente, 1,62 milhão de automóveis leves, com idade média bastante reduzida (17,4 meses), o que sugere uma renovação constante
Já no quadro de empregos, o setor também se expande. Em 2024, foram gerados 105.637 empregos diretos nas locadoras, um crescimento de 7,5% no ano.
Autonomia sem propriedade
Dentro das tendências de locação, o aluguel de carro mensal surge como alternativa para viajantes que buscam liberdade por um período mais longo, sem os compromissos de um veículo próprio. Essa modalidade pode se aproximar de um modelo de “assinatura”, com contratos de longo prazo, que podem incluir seguro, manutenção e documentação.
De acordo com análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2024, 53% do total de contratos de locação do país foram de longo prazo, e a modalidade de carro por assinatura (1 a 3 anos) aumentou 44% naquele ano.
Esse tipo de contrato é interessante para viajantes frequentes ou para quem planeja passar temporadas rodando pelo país. Isso pode ocorrer especialmente em roteiros de interior, em que ter um carro por dias ou semanas pode ser mais prático do que depender de transporte público.
Por fim, na hora de decidir entre alugar e usar transporte público, o viajante deve ponderar custo, tempo e conveniência. Para trajetos muito longos, o avião já supera o ônibus como meio de transporte para viagens nacionais. Dados da PNAD Contínua Turismo mostram que, em 2024, 14,7% das viagens foram feitas de avião, enquanto 11,9% foram de ônibus.
Logo, a dependência do carro da família diminui à medida que opções mais flexíveis se consolidam. A interiorização do turismo, com a preferência por destinos menores, e o fortalecimento da locação de veículos são sinais claros dessa transformação.
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