Nacional & Geral / Política
'Operação Overclean' chega à 9ª fase e mira deputado federal por desvio de emendas
PF, CGU e Receita Federal cumprem mandados na Bahia e no Distrito Federal; STF determina bloqueio de R$ 24 milhões
Luis Gustavo, Da Redação*
A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal deflagraram nesta terça-feira (13) a nona fase da "Operação Overclean", que investiga uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, além de práticas de corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia e no Distrito Federal. O principal alvo desta etapa é um deputado federal do PDT da Bahia, apontado como um dos investigados no esquema.
Por determinação do STF, houve ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas sob investigação. Segundo a PF, a medida tem como objetivo interromper a circulação de valores de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Ainda conforme o comunicado oficial, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Investigações desde 2024
A primeira fase da Operação Overclean foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024 e apurou o direcionamento irregular de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e pessoas ligadas a administrações municipais da Bahia.
Na ocasião, a Polícia Federal informou que o esquema contava com o apoio de policiais, que repassavam informações sensíveis à organização criminosa, incluindo dados sobre agentes federais envolvidos em diligências sigilosas.
Ainda nas fases iniciais, a investigação contou com o apoio da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations), diante de suspeitas de superfaturamento de obras e desvio de recursos para empresas e indivíduos ligados a prefeituras, com movimentação estimada em cerca de R$ 1,4 bilhão.
Segundo a PF, o esquema teria atingido diretamente o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), especialmente a Coordenadoria Estadual da Bahia, além de outros órgãos públicos. Por decisão judicial, oito servidores públicos chegaram a ser afastados de suas funções.
Desdobramentos recentes
Em junho de 2025, durante a quarta fase da operação, dois prefeitos baianos foram afastados do cargo, suspeitos de envolvimento no desvio de emendas parlamentares. Já na quinta fase, em julho do mesmo ano, a PF apurou a manipulação de processos licitatórios e o desvio de recursos destinados a um município do interior da Bahia, além de tentativas de obstrução das investigações. Naquele momento, o STF determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões.
A sétima fase da Overclean foi deflagrada em 16 de outubro, resultando no afastamento cautelar de um agente público suspeito de integrar o esquema. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cidades da Bahia e também no Rio de Janeiro.
Na oitava fase, no fim de outubro, cinco mandados de busca e apreensão foram executados em Brasília, São Paulo e cidades do Tocantins, novamente por determinação do Supremo Tribunal Federal.
As investigações seguem em andamento, e novas fases da operação não estão descartadas. *Com informações da Agência Brasil.
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