Nacional & Geral / Saúde
Ministério da Saúde decide não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS
Imunizante foi considerado de alto custo e sem custo-efetividade diante do impacto orçamentário previsto, segundo avaliação da Conitec
Luis Gustavo, Da Redação*
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão consta em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta semana e tem como base a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
De acordo com relatório técnico divulgado pela Conitec e disponível online, o imunizante foi considerado caro em relação ao impacto esperado no enfrentamento da doença, especialmente quando analisado sob a ótica do custo-benefício para o SUS.
A vacina recombinante adjuvada é indicada para idosos com idade igual ou superior a 80 anos e para indivíduos imunocomprometidos a partir dos 18 anos. Apesar de reconhecer a relevância da imunização na prevenção do herpes-zóster, o Comitê de Medicamentos da Conitec apontou a necessidade de negociação de valores.
“O Comitê reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório.
O documento também apresenta estimativas de custo. Segundo a Conitec, a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano teria um custo aproximado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes demandaria cerca de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total chegaria a R$ 5,2 bilhões, motivo pelo qual a vacina foi considerada não custo-efetiva.
Ainda conforme a portaria, o tema poderá ser submetido a uma nova avaliação pela Conitec, caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise realizada.
Herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, principalmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico comprometido.
Os primeiros sintomas incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem manchas vermelhas que evoluem para bolhas cheias de líquido, que posteriormente secam e formam crostas. As lesões costumam aparecer em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo, característica típica da doença. Tronco, face, região lombar e pescoço estão entre as áreas mais afetadas, e o quadro geralmente dura de duas a três semanas.
Segundo a Conitec, embora o herpes-zóster costume evoluir para cura espontânea, em alguns casos pode provocar complicações graves, com comprometimento da pele, do sistema nervoso, dos olhos e dos ouvidos.
Tratamento pelo SUS
Nos casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático, com medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações sobre higiene e cuidados com a pele. Já em situações de maior risco, como em idosos, imunocomprometidos ou em quadros graves, é indicado o uso do antiviral aciclovir.
Dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) e Hospitalares (SIH/SUS) apontam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil.
Já o Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS registra que, entre 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram em decorrência da doença no país, o que corresponde a uma taxa de 0,05 óbito por 100 mil habitantes no período. Do total de mortes, 90% ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo 53,4% em idosos com idade igual ou superior a 80 anos. *Com informações da Agência Brasil.
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