Nacional & Geral / Educação
Enamed: MEC pune cursos de medicina; entenda por quê
Primeira edição do exame mostra que 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório; sanções variam de redução de vagas a suspensão de Fies
Por CNN Brasil
O MEC (Ministério da Educação) divulgou na segunda-feira (19) os resultados da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).
Os dados revelam um cenário preocupante: cerca de 30% dos 351 cursos avaliados apresentaram desempenho insatisfatório.
De acordo com o MEC, dos 304 cursos de medicina do Sistema Federal de Ensino, que inclui universidades federais e instituições privadas, apenas 204 (67,1%) alcançaram conceito satisfatório (notas 3 a 5).
Os demais 99 cursos (32%) obtiveram conceitos 1 e 2, o que significa que menos de 60% de seus estudantes foram considerados proficientes no exame.
O MEC adota sanções escalonadas conforme o desempenho de cada instituição. Na faixa 1 (cursos com menos de 30% de concluintes proficientes), oito cursos sofrerão suspensão total de ingresso. Outros 13 cursos, com proficiência entre 30% e 40%, terão redução de 50% das vagas ofertadas.
Na faixa 2, 33 cursos com 40% a 50% de proficiência passam por redução de 25% das vagas. Esses três primeiros grupos também estão impedidos de ampliar vagas e terão suspensa a participação no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e em outros programas federais.
Os 45 cursos restantes da faixa 2, com proficiência acima de 50%, sofrerão apenas a proibição de aumento de vagas, sem medidas cautelares adicionais por enquanto.
Por que o MEC pune os cursos
As punições refletem a preocupação dos ministérios da Educação e da Saúde com a qualidade da formação médica no país.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a avaliação busca diagnosticar instituições com bom desempenho e aquelas que precisam melhorar.
"Há uma grande preocupação em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas."
O ministro também afirmou que 85% dos cursos municipais foram considerados insatisfatórios e ressaltou que mais de 80% dos cursos de medicina no Brasil são oferecidos por instituições privadas.
"O que estamos avaliando é se os cursos têm uma boa infraestrutura, se eles têm monitoria, laboratório, se têm bons professores", explicou Santana.
Processo administrativo
Após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, os 99 cursos com desempenho insatisfatório terão 30 dias para apresentar defesa ao MEC antes que as sanções entrem em vigor.
A Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) pode conceder prazo para sanar as questões negativas apontadas na avaliação.
As medidas valerão até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026. O MEC reforçou que nenhum aluno será prejudicado e que o objetivo não é aplicar penalidades intencionais, mas assegurar a formação de médicos de qualidade no Brasil.
Sobre o Enamed
O Enamed foi criado em abril de 2025 como uma modalidade específica do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) para cursos de medicina.
O novo exame unifica as matrizes de referência e os instrumentos de avaliação do Enade para medicina e da prova objetiva de acesso direto ao Enare (Exame Nacional de Residência).
Segundo o MEC, o teste permite que a nota do Enamed sirva como meio de ingresso em programas de residência médica de acesso direto, aumentando o engajamento dos estudantes.
Na primeira edição, o exame avaliou 89.024 estudantes e profissionais de medicina. Entre os 39.258 estudantes concluintes, 67% tiveram proficiência. O público geral, que inclui médicos formados e inscritos no Enare, teve 81% dos participantes com proficiência.
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