Ministério da Saúde inicia transição para insulina glargina no SUS em projeto-piloto

Medida é considerada avanço histórico e deve beneficiar mais de 50 mil pessoas com diabetes na primeira fase

Luis Gustavo, Da Redação*


O Ministério da Saúde informou que iniciou o processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto-piloto será implementado inicialmente no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal.

 

A iniciativa contempla crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas nesta primeira etapa.

 

Em nota, a pasta classificou a medida como um “avanço histórico” no cuidado das pessoas que vivem com diabetes no Brasil. Segundo o ministério, a glargina é um medicamento mais moderno, de ação prolongada, que facilita a rotina dos pacientes.

 

A insulina glargina possui duração de até 24 horas, permitindo apenas uma aplicação diária, o que ajuda na manutenção dos níveis de glicose no sangue. A transição será realizada de forma gradual, a partir da avaliação individual de cada paciente.

 

Nos estados selecionados, profissionais da atenção primária já estão recebendo treinamentos para o uso do novo medicamento. Após os primeiros meses, os resultados serão avaliados para definir o cronograma de expansão para os demais estados do país.

 

O ministério destacou que o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 para dois meses na rede privada, e que a ampliação da oferta no SUS segue práticas internacionais recomendadas.

 

A expansão do uso do medicamento ocorre por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), envolvendo o laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. A parceria prevê a transferência de tecnologia para produção nacional.

 

Em 2025, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é que, até o fim de 2026, a capacidade de produção alcance até 36 milhões de tubetes para abastecer o SUS.

 

Segundo o Ministério da Saúde, a autonomia na produção de insulina é estratégica diante de um cenário global de escassez desse insumo. *Com informações da Agência Brasil.

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