Carnaval e cultura geram retorno econômico maior que indústria automobilística, diz economista

Italo-americana destaca alto impacto social, redução da criminalidade e potencial da economia criativa no Brasil, mas alerta para concentração de renda e necessidade de políticas públicas estratégicas

Luis Gustavo, Da Redação*


O investimento público em cultura, artes e Carnaval gera um retorno econômico superior ao de setores tradicionais da indústria, como o automobilístico. A afirmação é da economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, em entrevista à Agência Brasil durante visita ao país para estudar a economia criativa ligada à maior festa popular brasileira.

 

Segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, cada real investido em cultura pode gerar R$ 7,59 em retorno para a sociedade, enquanto o setor de automóveis e caminhões apresenta impacto multiplicador de R$ 3,76. Para Mazzucato, os governos ainda subestimam o setor cultural, apesar das evidências econômicas disponíveis.

 

A economista ressaltou que o Carnaval vai além do turismo e do consumo, gerando empregos, renda, formação de habilidades, redes sociais e fortalecimento da identidade cultural. Ela também destacou que investimentos em cultura podem contribuir para a redução da criminalidade, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade social, ao promover inclusão, bem-estar e coesão comunitária.

 

Mazzucato criticou a narrativa de que não há recursos para a cultura, lembrando que grandes investimentos são feitos em áreas como Defesa sem as mesmas restrições fiscais. Para ela, o Estado deve investir de forma estratégica, orientada a objetivos públicos, e o setor privado deve ser estimulado a contribuir para o desenvolvimento da economia criativa, e não apenas financiar projetos isolados.

 

A economista também alertou para o risco de concentração de renda no Carnaval e questionou se os recursos gerados pela festa estão sendo reinvestidos nas comunidades que produzem a cultura. Para Mazzucato, o Carnaval brasileiro é um exemplo vivo de economia criativa e deveria ser tratado como investimento de longo prazo para o desenvolvimento econômico e social do país. *Com informações da Agência Brasil.

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