Exames para detecção precoce do câncer de intestino triplicam no SUS em uma década

Crescimento é atribuído à conscientização e campanhas como o Março Azul, que incentivam o diagnóstico precoce

Luis Gustavo, Da Redação*


O número de exames voltados à detecção precoce do câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou crescimento expressivo nos últimos dez anos. Levantamento divulgado durante a campanha Março Azul aponta que tanto a pesquisa de sangue oculto nas fezes quanto as colonoscopias praticamente triplicaram no período.

 

Entre 2016 e 2025, os testes de sangue oculto nas fezes saltaram de 1.146.998 para 3.336.561 procedimentos, representando aumento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias passaram de 261.214 para 639.924 exames, avanço de cerca de 145%.

 

Em 2025, o estado de São Paulo liderou o número de exames de sangue oculto nas fezes, com mais de 1,1 milhão de procedimentos realizados. Minas Gerais e Santa Catarina aparecem na sequência. Por outro lado, estados como Amapá, Acre e Roraima registraram os menores volumes.

Conscientização impulsiona procura

De acordo com especialistas, o aumento está diretamente relacionado às campanhas de conscientização e à maior mobilização de entidades médicas em todo o país. A campanha Março Azul, por exemplo, tem contribuído para incentivar a população a buscar exames preventivos e reduzir o medo em relação ao diagnóstico.

 

Segundo análise da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, o crescimento da procura por exames também reflete ações promovidas por órgãos públicos, como mutirões de atendimento, campanhas educativas e divulgação em escolas e unidades de saúde.

Influência de casos públicos

Casos envolvendo pessoas conhecidas também têm impactado a conscientização. O diagnóstico e a morte de figuras públicas em decorrência da doença ajudaram a ampliar o debate e estimular a população a observar sinais e sintomas.

 

Entre 2023 e 2025, período que coincide com a divulgação e evolução de casos amplamente divulgados, houve aumento de 18% nos exames de sangue oculto nas fezes e de 23% nas colonoscopias realizadas pelo SUS.

 

Especialistas destacam que relatos públicos contribuem para alertar a população sobre a importância de investigar sintomas e realizar exames preventivos, aumentando as chances de cura quando o câncer é identificado precocemente.

Preocupação com o futuro

Apesar dos avanços, projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que as mortes prematuras por câncer de intestino devem crescer até 2030. Entre os fatores apontados estão o envelhecimento da população, o aumento de casos entre pessoas mais jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.

 

Diante desse cenário, profissionais da saúde reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da continuidade de campanhas que incentivem o cuidado com a saúde intestinal. *Com informações da Agência Brasil.

 
 

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