Em Nova Andradina, paciente aguarda vaga com neurocirurgião há seis dias após AVC hemorrágico e família denuncia suposto descaso

Mulher de 49 anos deu entrada consciente no hospital, mas teve piora rápida após demora por leito de UTI e ausência de atendimento especializado

Luis Gustavo, Da Redação


Uma família denuncia uma situação grave envolvendo a paciente do Hospital Regional, Eliane Ferreira de Alencar, de 49 anos, que luta pela vida após sofrer um AVC hemorrágico no último sábado (21). Segundo relato de familiares, a demora no acesso a um leito de UTI e a ausência de um neurocirurgião podem ter contribuído para a piora significativa do quadro clínico.

 

De acordo com as informações, Eliane foi levada imediatamente ao hospital após apresentar sintomas, ainda na manhã de sábado. Apesar da gravidade do caso, ela estava consciente, conversando, lúcida e sem aparentes sequelas, relatando apenas forte dor de cabeça.

 

No entanto, a paciente teria aguardado até a tarde de segunda-feira (23) por uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando finalmente foi transferida, ainda apresentava bom nível de consciência. Porém, em menos de 24 horas, houve uma mudança drástica em seu estado de saúde.

 

Na manhã de terça-feira (24), Eliane já não respondia a estímulos, apresentando rebaixamento do nível de consciência, sendo necessário realizar intubação, sedação e uso de aparelhos para manutenção das funções vitais.

 

Exames de imagem indicam que o sangramento cerebral permanece estável, mas há inchaço no cérebro, condição que pode levar à perda de funções neurológicas. Ainda segundo os familiares, a paciente chegou a registrar batimentos cardíacos de apenas 30 por minuto, sendo necessário o uso de medicação para estabilização.

 

A situação se agrava pelo fato de que, até o momento, Eliane aguarda há seis dias por uma vaga com neurocirurgião. A família afirma ter buscado ajuda junto a autoridades locais, incluindo prefeitura, Secretaria de Saúde e vereadores, mas relata não ter recebido solução concreta.

 

Conforme o relato, a orientação repassada por representantes públicos e pela unidade hospitalar foi a de ingressar com ação judicial para tentar garantir o atendimento especializado, já que os leitos disponíveis estariam lotados.

 

“A gente entregou ela no hospital consciente, com chances reais e sem sequelas. Hoje o quadro é gravíssimo. Cada hora que passa diminui as chances de sobrevivência”, afirmou um familiar.

 

Diante da situação, a família pede que o caso ganhe visibilidade para que medidas urgentes sejam tomadas e o atendimento necessário seja garantido o quanto antes.

 

Outro lado

Hospital Regional em Nova Andradina - Foto: Arquivo/Jornal da Nova

O Hospital de Nova Andradina informa que está integralmente empenhado na assistência ao paciente e não tem medido esforços para assegurar o melhor atendimento possível.

O caso já foi devidamente inserido no sistema da Central de Regulação de Mato Grosso do Sul, com toda a documentação médica necessária para a solicitação de vaga em neurocirurgia. A equipe da unidade permanece em contato constante com os órgãos reguladores, com o objetivo de agilizar a transferência, que depende da disponibilidade de leitos de neurocirurgia no Estado.

Enquanto aguarda a liberação pela regulação, o paciente segue sob monitoramento rigoroso, recebendo todo o suporte clínico e de estabilização disponível na unidade, a fim de garantir sua segurança e o manejo adequado do quadro até o momento do transporte.

O hospital ressalta que a vaga não é liberada diretamente pela unidade de destino, mas pela Central de Regulação, responsável pelo gerenciamento dos leitos em todo o Mato Grosso do Sul.

Qualquer alteração no estado de saúde do paciente é imediatamente atualizada no sistema de regulação, como forma de reavaliar a prioridade da vaga.

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