Mato Grosso do Sul lidera governança climática no Brasil, aponta Anuário

Estado é o único a cumprir todos os critérios nacionais e se destaca em políticas ambientais, crescimento econômico e meta de carbono neutro até 2030

Luis Gustavo, Da Redação*


Mato Grosso do Sul é o único estado brasileiro que cumpre todos os critérios estabelecidos entre os entes subnacionais para a implementação da governança climática. A informação consta na segunda edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, divulgada na última semana pelo Centro Brasil no Clima (CBC).

 

O levantamento reúne dados, indicadores e análises sobre políticas ambientais nos estados, incluindo atividades econômicas, impactos ambientais — como emissões de gases de efeito estufa (GEE) — e estratégias adotadas para mitigar as mudanças climáticas.

 

Entre os destaques, Mato Grosso do Sul integra o grupo dos oito estados com melhores índices de destinação correta de resíduos sólidos urbanos. O percentual saltou de 44% em 2015 para 85% em 2024, evidenciando avanço significativo na gestão ambiental.

 

O Estado também se destaca por ter implantado todas as etapas do Cadastro Ambiental Rural (CAR), incluindo inscrição, análise técnica e automatizada, além da regulamentação e execução do Programa de Regularização Ambiental (PRA), com estrutura operacional definida.

 

Outro diferencial é a existência de instrumentos de financiamento voltados à sustentabilidade, como ICMS Verde, Fundo Ambiental, Fundo de Recursos Hídricos e Fundo Climático. Mato Grosso do Sul ainda possui a meta mais ambiciosa entre os estados: tornar-se carbono neutro até 2030.

 

Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, os resultados são reflexo de uma estratégia baseada no desenvolvimento sustentável. Ele atribui o avanço à decisão do governo estadual de alinhar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.

 

Nos últimos anos, o Estado também estruturou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, criou o Fórum Estadual sobre o tema e promoveu debates para construção de soluções. Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Governo de Mato Grosso, implantou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Pantanal.

 

A agenda inclui ainda o alinhamento ao Plano ABC+ para agricultura sustentável, a elaboração do inventário de emissões de GEE e a criação de fundos específicos para financiamento climático, além dos planos estaduais de resíduos sólidos e de recursos hídricos — considerados pilares da política ambiental.

 

A secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Trevelin, destacou que o resultado reflete um trabalho integrado entre diferentes órgãos do governo. Segundo ela, o avanço demonstra a capacidade do Estado em desenvolver ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

 

No campo econômico, Mato Grosso do Sul também apresenta bons indicadores. O Estado figura entre os menos desiguais do País, ocupando a quinta posição no índice de Gini, que mede a distribuição de renda. Em 2023, registrou o segundo maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com alta de 13,4%, ficando atrás apenas do Acre.

 

Em relação às emissões, o Brasil apresentou redução significativa nos gases de efeito estufa em 2024, com queda de 1,92 bilhão para 1,49 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente. A agropecuária segue como uma das principais fontes de emissão.

 

Apesar dos avanços, o principal desafio apontado é a recuperação de áreas degradadas. Atualmente, cerca de 60% das pastagens brasileiras apresentam baixo ou médio vigor. Mato Grosso do Sul possui 12,3 milhões de hectares nessa condição, o que representa potencial para conversão em sistemas produtivos sustentáveis.

 

De acordo com Verruck, o Estado já incorporou cerca de 5 milhões de hectares ao processo produtivo e pretende ampliar essa recuperação com programas como o FCO Verde e o Prosolo.

 

Por fim, o Anuário destaca iniciativas estratégicas como o Programa MS Carbono Neutro, Carne Carbono Neutro e Rodovias Resilientes, além da expressiva redução de 58,6% no desmatamento no Pantanal em 2024, em comparação com o ano anterior.

 

O estudo classifica Mato Grosso do Sul com status avançado na mitigação de riscos ambientais, com ênfase no monitoramento de emissões e na certificação de ativos ambientais.  *Com informações da Semadesc.

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