Hospital Regional de Ponta Porã realiza primeira captação de órgãos e beneficia pacientes do SUS

Procedimento inédito mobilizou equipes especializadas e garantiu a doação de rins, córneas e fígado, reforçando a estrutura de saúde na região de fronteira

Luis Gustavo, Da Redação*


Referência em saúde pública na região de fronteira sul, o Hospital Regional de Ponta Porã (HRPP) realizou na noite de segunda-feira (12) o seu primeiro procedimento de captação de órgãos. A ação, que mobilizou equipes multidisciplinares e uma logística complexa, possibilitou a doação de dois rins, duas córneas e um fígado, beneficiando pacientes que aguardam na fila de transplantes do Sistema Único de Saúde (SUS). A doadora era uma jovem de 32 anos.

 

O procedimento foi resultado de uma cooperação técnica entre a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Dourados, a equipe e-DOT (Equipe de Doação para Transplantes) do HRPP e um grupo especializado de Campo Grande, liderado pelo cirurgião Gustavo Rapassi, diretor clínico da Fratello Transplantes.

 

Toda a ação contou com o apoio da Central Estadual de Transplantes (CET), responsável por gerenciar todas as etapas em âmbito estadual, desde a notificação do potencial doador até a distribuição dos órgãos, além de coordenar a logística envolvendo aeronaves, transporte terrestre e equipes especializadas.

 

A captação, inicialmente prevista para o fim da tarde, foi realizada às 23h15 devido à instabilidade meteorológica. O clima adverso impediu o pouso de uma aeronave da Força Aérea Brasileira, que se deslocava de Brasília, exigindo a readequação de toda a operação.

 

Estrutura e apoio permanentes

De acordo com a coordenadora da CET/MS, Claire Carmen Miozzo, um dos avanços recentes foi a melhoria na confirmação do diagnóstico de morte encefálica. “Historicamente, a maior dificuldade era o fechamento do diagnóstico, especialmente pela ausência de exames como a arteriografia. Hoje, com esse recurso disponível, o processo se tornou mais ágil e seguro”, explicou.

 

Para o diretor técnico do hospital, o médico Antonio Martinussi, o gesto da família da doadora transformou o luto em esperança. “Este procedimento oferece um novo significado para a perda. Um momento tão doloroso passa a ter outro sentido ao saber que vidas serão salvas”, afirmou.

 

A enfermeira responsável pela e-DOT, Gemana Fortaleza, destacou que este é apenas o primeiro passo para o fortalecimento das ações de doação e transplantes de órgãos na região.

 

Gestão e infraestrutura

O êxito da operação reflete o processo de modernização do hospital. Desde agosto de 2025, o HRPP é gerido pelo Instituto Social Mais Saúde e conta com uma estrutura de 117 leitos, incluindo Unidade de Terapia Intensiva (UTI), centro cirúrgico com três salas e um corpo clínico de aproximadamente 100 profissionais.

 

Além do atendimento de urgência e emergência, a unidade também realiza atendimentos ambulatoriais. Para o diretor-geral do hospital, Alex Cruz, o pioneirismo reforça o papel estratégico da unidade para o Estado. “Promover esta captação fortalece nosso compromisso com o cuidado humanizado e a assistência de alta complexidade. O HRPP se firma como uma referência de qualidade”, destacou.

 

Protocolos de segurança

O sistema de doação de órgãos no Brasil segue normas rigorosas. A doação só ocorre após a confirmação da morte encefálica e a autorização familiar. Em conformidade com os protocolos de ética médica, a identidade dos doadores e receptores, bem como o destino dos órgãos, permanecem em sigilo.

 

“Reforçando que todo esse processo só é possível graças ao gesto de solidariedade das famílias, que, mesmo em um momento de dor, optam por salvar outras vidas por meio da doação”, finalizou a coordenadora da Central de Transplantes de MS. *Com informações da SES e HRPP.

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