Ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 milhões

Investigação aponta pagamento de até R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas por meio de imóveis de luxo e uso de carteiras de crédito fictícias

Luis Gustavo, Da Redação*


O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quinta-feira (16) durante a quarta fase da "Operação Compliance Zero", da Polícia Federal, sob suspeita de envolvimento em um esquema de propina estimado em R$ 146,5 milhões.

 

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De acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, Costa teria combinado o recebimento dos valores com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A propina seria paga por meio da transferência de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e outros dois em Brasília.

 

Até o momento, a Polícia Federal conseguiu rastrear cerca de R$ 74 milhões em pagamentos. O restante não teria sido quitado após o banqueiro tomar conhecimento de uma investigação sigilosa em curso. Segundo os investigadores, Vorcaro foi informado sobre o procedimento e decidiu interromper os repasses.

 

Ainda conforme a apuração, um funcionário do Banco Master, Felipe Mourão, teria enviado ao empresário uma cópia da investigação por meio de aplicativo de mensagens em junho de 2025. Embora o envio tenha ocorrido após a interrupção dos pagamentos, o ministro considerou plausível que Vorcaro já tivesse conhecimento prévio da apuração.

 

Além de Costa, também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como testa de ferro do ex-presidente do BRB. Ele teria recebido diretamente R$ 86,1 milhões em valores ilícitos.

 

As prisões preventivas foram justificadas pela continuidade de atos de ocultação patrimonial, risco de interferência nas investigações e possibilidade de reorganização do esquema financeiro. A decisão também cita a necessidade de garantir a ordem pública e econômica, além da efetividade da ação penal.

 

Segundo a Polícia Federal, a contrapartida para o pagamento das vantagens indevidas seria o uso de recursos do BRB para aquisição de carteiras de crédito consideradas fictícias do Banco Master. Até agora, já foram identificados ao menos R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos adquiridos, mas o valor total ainda pode ser maior.

 

A Operação Compliance investiga a existência de uma estrutura voltada à criação e venda de carteiras de crédito fraudulentas, utilizadas para movimentações financeiras ilícitas entre as instituições.

 

Defesa

Em frente à residência onde Costa foi preso, o advogado Cleber Lopes afirmou que a defesa não reconhece a existência de pagamento de propina.

 

Segundo ele, o ex-presidente do BRB não representa risco às investigações. “A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal”, declarou. *Com informações da Agência Brasil.

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