Economia & Negócios / Economia
Desenrola 2.0 alivia contas mas não resolve o problema apontam analistas
Nova versão do programa promete aliviar dívidas, mas não resolve causas estruturais, como juros altos e falta de educação financeira
Luis Gustavo, Da Redação*
O governo federal deve anunciar ainda nesta semana o Desenrola 2.0, nova etapa do programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na última segunda-feira (27).
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Apesar da expectativa em torno da iniciativa, especialistas avaliam que o programa tende a oferecer apenas um alívio momentâneo para os brasileiros endividados. Em análise, o comentarista econômico Gabriel Monteiro comparou a medida a um “analgésico”, que reduz o impacto imediato, mas não resolve o problema de forma definitiva.
Segundo ele, a primeira versão do programa, lançada em 2023, não conseguiu conter o avanço do endividamento no país. Na época, cerca de 72 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. Atualmente, esse número se aproxima de 82 milhões, configurando um recorde histórico.
Monteiro destacou que, embora o Desenrola 1.0 tenha reduzido temporariamente a pressão financeira sobre as famílias, muitas voltaram a contrair dívidas pouco tempo depois, agravando ainda mais a situação.
Entre os fatores estruturais que dificultam a redução do endividamento, o analista aponta a elevada taxa de juros no Brasil, historicamente acima de 10% ao ano. Além disso, há desafios relacionados às garantias de crédito e à concorrência entre o setor privado e o próprio governo na captação de recursos, já que títulos públicos oferecem alta rentabilidade com baixo risco.
Outro ponto crítico é a falta de educação financeira. Segundo o especialista, grande parte da população paga juros extremamente elevados, muitas vezes superiores a 100% ao ano, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial.
O Desenrola 2.0 pode trazer mudanças em relação à versão anterior. Entre as possibilidades estudadas estão a criação de restrições para evitar que beneficiários contraiam novas dívidas em linhas de crédito mais caras, além de limitar o acesso a apostas para quem aderir ao programa.
Também está em discussão o uso de recursos do FGTS para quitar dívidas, proposta que tem gerado críticas, especialmente do setor imobiliário. A avaliação é que, embora a medida possa fazer sentido do ponto de vista financeiro — já que o fundo tem baixo rendimento frente aos altos juros das dívidas —, ela desvirtua a finalidade original do FGTS.
De acordo com a análise, os principais beneficiados pelo programa tendem a ser o próprio governo, com possíveis ganhos políticos em ano eleitoral, e o sistema bancário, que pode contar com incentivos e garantias públicas para renegociação de créditos considerados de alto risco. *Com informações da CNN.
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