Queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema reforça prevenção contra incêndios florestais em MS

Ação do Corpo de Bombeiros utilizou tecnologia, drones e manejo integrado do fogo para reduzir riscos durante o período de estiagem

Da Redação


O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul realizou uma operação de queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), como parte das ações preventivas de combate aos incêndios florestais no Estado. A iniciativa ocorreu entre os dias 1º e 4 de maio e integra a estratégia de MIF (Manejo Integrado do Fogo), técnica voltada à redução da biomassa acumulada e diminuição do risco de incêndios de grandes proporções durante o período de seca.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Imasul realizaram queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema - Fotos: Ewerton Pereira/Secom-MS

Localizado na Bacia do Rio Paraná e abrangendo áreas dos municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí, o parque possui cerca de 73,3 mil hectares de Mata Atlântica e é considerado uma das principais unidades de conservação ambiental de Mato Grosso do Sul.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Samuel Pedrozo, responsável pela operação, a prática é fundamental para evitar incêndios severos no futuro. “Essas práticas são essenciais para o controle da biomassa acumulada, reduzindo o risco de grandes incêndios florestais. O uso do fogo controlado, aliado à abertura de aceiros e ao planejamento adequado, se mostra extremamente eficiente na mitigação dos incêndios”, destacou.

A ação foi planejada considerando os impactos do fenômeno climático El Niño, que deve elevar as temperaturas e provocar irregularidades nas chuvas em Mato Grosso do Sul ao longo de 2026, aumentando o risco de queimadas nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Tecnologia e monitoramento aéreo

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Imasul realizaram queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema - Foto: Ewerton Pereira/Secom-MS

Antes do início do manejo, equipes técnicas realizaram o mapeamento detalhado da área utilizando geotecnologias. A operação contou com drones equipados com sensores infravermelhos e câmeras térmicas, permitindo monitoramento contínuo, inclusive no período noturno, além da identificação da fauna presente na região.

O planejamento também levou em conta as condições climáticas locais. A queima foi iniciada nos horários de maior temperatura, próximos dos 30°C. Com a redução natural da temperatura e o aumento da umidade ao longo da tarde, o fogo perdeu intensidade e foi controlado naturalmente, mantendo as equipes em alerta permanente.

Conservação ambiental e proteção da fauna

Além da prevenção contra incêndios, o manejo contribui para a regeneração da vegetação nativa e eliminação de espécies exóticas invasoras. O processo é realizado de forma lenta e controlada, permitindo a fuga segura dos animais silvestres e preservando o equilíbrio ecológico da unidade de conservação.

O guarda-parque do Pevri, Dione Sales dos Santos, ressaltou que a ausência desse tipo de manejo poderia provocar incêndios de grandes proporções durante a estiagem, como ocorreu em 2024. “Com o MIF, conseguimos manter o fogo sob controle, preservar a vegetação e garantir que os animais tenham onde se refugiar”, afirmou.

O trabalho contou ainda com apoio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, responsável pela gestão do parque. O gerente das Unidades de Conservação do órgão, Leonardo Tostes, destacou que o manejo do fogo em áreas protegidas segue rigorosos critérios técnicos para garantir a conservação da biodiversidade.

A ação segue a mesma estratégia aplicada no ano passado no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em Aquidauana e Corumbá, onde foi realizada uma operação inédita de queima prescrita para minimizar os impactos dos incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense. Com informações da Comunicação Governo de MS e do Imasul

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