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Operação da PF completa seis meses e expõe suposto esquema bilionário no sistema financeiro
Investigação da Polícia Federal aponta fraude histórica envolvendo o Banco Master, políticos, empresários e agentes públicos
Luis Gustavo, Da Redação*
A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), completou seis meses nesta segunda-feira (18) após revelar um suposto esquema considerado uma das maiores fraudes já investigadas contra o Sistema Financeiro Nacional. As apurações apontam para um possível prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.
Ao longo de seis fases da operação, executadas até 14 de maio, a PF cumpriu 21 mandados de prisão temporária e preventiva, além de 116 mandados de busca e apreensão em sete unidades da Federação: Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
O principal alvo da investigação é o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontado pela PF como líder do esquema. As investigações tiveram início no começo de 2024, após solicitação do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo a PF, o grupo teria atuado na fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, além de lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos, obstrução de investigações e manutenção de uma suposta milícia privada usada para intimidar desafetos.
As decisões judiciais também determinaram bloqueios e sequestros de bens que somam cerca de R$ 27,71 bilhões.
Primeira fase levou à prisão de Daniel Vorcaro
A primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada em 18 de novembro de 2025. Daniel Vorcaro foi preso preventivamente junto com outros investigados ligados ao Banco Master.
As investigações apontaram que títulos sem garantia financeira teriam sido vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e posteriormente substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada após fiscalização do Banco Central.
Na ocasião, também foram afastados dos cargos o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia.
A operação ocorreu um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar intenção de compra do Banco Master com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Meses antes, o Banco Central já havia barrado a tentativa de aquisição do Master pelo BRB por cerca de R$ 2 bilhões.
Após o avanço das investigações, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master, incluindo o Master de Investimento, Letsbank, Master Corretora de Câmbio, Will Financeira e Banco Pleno.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou aproximadamente R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes ligados ao grupo financeiro.
Segunda fase investigou lavagem de dinheiro
Na segunda etapa da operação, realizada em 14 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões.
Entre os alvos estavam o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado posteriormente.
PF apontou existência de “milícia particular”
Na terceira fase, em 4 de março, Daniel Vorcaro voltou a ser preso após a PF localizar mensagens em seu celular que indicariam planos para simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, além de ameaças contra ex-funcionários.
Segundo a corporação, o banqueiro mantinha uma estrutura chamada “A Turma”, descrita pelos investigadores como uma milícia privada destinada à intimidação de desafetos.
O grupo seria liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele foi preso em Belo Horizonte, mas morreu após passar mal dentro da cela da PF.
Além de Vorcaro, também foram presos Fabiano Zettel e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Nessa etapa, o STF ainda determinou o afastamento de servidores do Banco Central suspeitos de favorecer interesses do Banco Master.
Corrupção e propina ao ex-presidente do BRB
A quarta fase da operação ocorreu em 16 de abril e teve foco na investigação de corrupção envolvendo agentes públicos.
Foram presos preventivamente o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro.
Segundo a PF, Costa teria negociado o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina por meio de imóveis. Os investigadores afirmam ter provas do pagamento de ao menos R$ 74 milhões. O ex-dirigente nega as acusações.
Quinta fase atingiu senador Ciro Nogueira
Em 7 de maio, a quinta etapa teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de atuar politicamente em favor dos interesses de Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de vantagens como viagens internacionais e hospedagens.
As investigações apontam ainda que assessores do Banco Master teriam elaborado uma proposta de emenda constitucional que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto teria sido apresentado no Congresso pelo senador.
Também foi preso temporariamente Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema.
Sexta fase prendeu policiais e pai de Vorcaro
Na sexta fase, realizada em 14 de maio, a PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
Entre os presos estavam Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e o policial federal Anderson Wander da Silva Lima, suspeito de repassar informações sigilosas ao grupo investigado.
Outro alvo, Victor Lima Sedlmaier, foi capturado em Dubai em ação conjunta da PF, Interpol e polícia local.
Áudios envolvendo Flávio Bolsonaro ampliam repercussão
Na última semana, reportagens do portal The Intercept Brasil divulgaram áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pede recursos financeiros a Daniel Vorcaro para custear a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio confirmou a autenticidade das gravações, mas negou irregularidades, afirmando que os recursos foram usados exclusivamente na produção do longa-metragem.
Segundo as reportagens, Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para o projeto, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido liberados.
O caso levou parlamentares a pedirem investigação sobre a origem e a aplicação dos recursos utilizados na produção do filme. *Com informações da Agência Brasil.
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