Oficina de chinelos leva dignidade a internos vulneráveis na PED

Projeto “PED Chinelo” já produziu 621 pares e alia assistência básica, trabalho prisional e ressocialização em Dourados

Da Redação


A Penitenciária Estadual de Dourados (PED) implantou uma oficina de fabricação de chinelos com mão de obra prisional para atender internos em situação de maior vulnerabilidade, especialmente aqueles que não recebem apoio familiar.

Batizado de “PED Chinelo”, o projeto é resultado de parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da direção da unidade penal e da Vara do Juiz das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal de Dourados.

A iniciativa, idealizada pelo juiz Ricardo da Mata Reis, une assistência básica à política de ressocialização. Considerada inédita no Estado, a ação já produziu 621 pares de chinelos, destinados a internos identificados em triagem como os mais vulneráveis. Os primeiros beneficiados foram reeducandos indígenas.

A produção é feita por três internos que atuam na oficina. Eles têm direito à remição de pena, com redução de um dia a cada três dias de trabalho, conforme previsto na Lei de Execução Penal. A capacidade média de fabricação é de aproximadamente 50 pares por dia.

Segundo a direção da unidade, os insumos são adquiridos com recursos viabilizados pelo próprio Poder Judiciário, por meio do juiz corregedor, com foco na humanização da pena.

Para o diretor da PED, policial penal Leoney Martins Duarte, a produção própria representa uma alternativa funcional e sustentável. “Essa iniciativa é uma estratégia que combina gestão, justiça e ação social dentro do ambiente prisional com foco na dignidade e na inclusão de quem mais precisa”, afirmou.

Além da oficina de chinelos, a PED mantém outras frentes de trabalho e educação. Atualmente, mais de 31% dos internos exercem alguma atividade laboral ou educacional na penitenciária. A unidade oferece ensino formal, da alfabetização ao ensino médio, além de oficinas como marcenaria, costura, serralheria, pintura em tela e colagem de bolas.

No campo da assistência, a penitenciária também está em processo de confecção e entrega de uniformes para toda a população carcerária, com produção realizada dentro da própria unidade.

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