Nacional & Geral / Saúde
Dor de cabeça frequente pode indicar problemas mais graves, alertam especialistas
Campanha Maio Bordô reforça importância de buscar ajuda médica após três episódios mensais de cefaleia por três meses seguidos
Luis Gustavo, Da Redação*
No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado nesta terça-feira (19), médicos e especialistas chamam a atenção para a dor de cabeça frequente, considerada uma das condições neurológicas mais incapacitantes do mundo. O alerta é voltado principalmente às pessoas que apresentam três ou mais episódios por mês, durante pelo menos três meses consecutivos, para que procurem avaliação médica especializada.
Embora muitas vezes associada ao estresse, desidratação ou noites mal dormidas, a cefaleia também pode estar relacionada a problemas mais graves, como sinusite, enxaqueca crônica e até aneurisma.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de dor de cabeça estão entre as condições neurológicas mais comuns no planeta, afetando cerca de 40% da população mundial, o equivalente a aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas. A entidade destaca ainda que as cefaleias estão entre as três principais condições neurológicas em pessoas de 5 a 80 anos.
A enxaqueca, especificamente, é considerada a segunda maior causa de incapacidade no mundo e atinge cerca de 15% da população global. As mulheres são as mais afetadas, principalmente devido a fatores hormonais. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas convivem com enxaqueca crônica.
De acordo com o neurocirurgião Orlando Maia, dores frequentes podem indicar um quadro de enxaqueca crônica, caracterizada por crises que ocorrem 15 dias ou mais por mês e geralmente acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz e ao som.
“A dor de cabeça é um sintoma comum no dia a dia, mas quando deixa de ser episódica e passa a ser constante, precisa ser investigada”, explica o especialista.
Ele ressalta que, apesar da maioria das cefaleias ter origem benigna, como nos casos tensionais, dores persistentes também podem estar relacionadas a condições neurológicas, infecções e alterações estruturais.
“Muitas vezes, a dor constante é tratada apenas com analgésicos e incorporada à rotina, o que pode atrasar diagnósticos importantes”, alerta.
Sinais de alerta
Especialistas orientam atenção para sintomas como:
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dores frequentes ou diárias;
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mudança no padrão habitual da dor;
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início súbito e muito intenso;
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dores fora do comum;
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alterações visuais, na fala ou na força;
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episódios acompanhados de confusão mental;
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perda de consciência;
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desequilíbrio.
Segundo os médicos, esses sinais exigem investigação especializada e não devem ser ignorados.
Estilo de vida influencia
A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) destaca que hábitos como má alimentação, jejum prolongado, excesso de gordura, consumo de álcool e, principalmente, o estresse, podem favorecer o surgimento das dores de cabeça.
A entidade também aponta relação entre enxaqueca e sedentarismo, tabagismo, obesidade, ansiedade, depressão e alterações orofaciais, como disfunções temporomandibulares.
Por isso, o tratamento costuma envolver diferentes profissionais, como neurologistas, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e enfermeiros.
Automedicação pode agravar quadro
Outro ponto de atenção é a automedicação. Segundo a SBC, o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios sem orientação médica pode piorar tanto a intensidade quanto a frequência das dores.
A entidade explica que pacientes com mais de dois episódios mensais já podem necessitar de tratamento preventivo específico.
Ainda conforme a SBC, cerca de 90% das pessoas que sofrem de cefaleia relatam prejuízos no trabalho, nos estudos, no lazer e até na vida sexual.
Maio Bordô
A campanha Maio Bordô foi criada pela Sociedade Brasileira de Cefaleia para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e tratamento adequados.
Neste ano, a campanha traz o slogan “3 é Demais”, reforçando que pessoas com três episódios mensais de dor de cabeça, por três meses seguidos, devem procurar ajuda profissional. *Com informações da Agência Brasil.
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