Cidades & Região / Nova Andradina
Quando a verdade incomoda, os bajuladores prosperam
*Sandro de Almeida
Na política, existe uma figura que nunca falta: o bajulador. Ele aplaude tudo, concorda com tudo, elogia até os erros e transforma qualquer decisão em um suposto ato de genialidade. Não questiona, não fiscaliza, não enfrenta. Apenas serve aos interesses de quem está no poder.
O problema é que a política dos "puxa-sacos" cobra um preço alto da sociedade.
Quando o governante passa a ouvir apenas quem diz "sim", perde o contato com a realidade. As críticas deixam de ser vistas como oportunidade de corrigir rumos e passam a ser tratadas como ataques pessoais. A competência é substituída pela lealdade cega. O mérito dá lugar à conveniência.
Nesse ambiente, quem trabalha de verdade, quem apresenta dados, aponta falhas e exige resultados acaba sendo visto como um obstáculo. Não porque esteja errado, mas porque expõe aquilo que muitos preferem esconder.
Infelizmente, essa lógica se repete em diversas administrações. O espaço para o debate diminui, enquanto cresce o espaço para a propaganda. Valoriza-se quem tira fotos, compartilha elogios e alimenta o ego dos poderosos. Já quem fiscaliza, cobra e fala a verdade passa a ser tratado como inimigo.
Uma democracia saudável não se constrói com aplausos permanentes. Ela depende do contraditório, da fiscalização e da coragem de dizer aquilo que muitos não querem ouvir.
O bom político não teme críticas. Pelo contrário: ele as utiliza para melhorar sua gestão. Já o gestor cercado apenas de bajuladores corre o risco de acreditar que tudo está perfeito, enquanto os problemas aumentam diante dos olhos da população.
A história mostra que governos não fracassam apenas por falta de recursos ou de projetos. Muitos fracassam porque trocaram pessoas competentes por aduladores profissionais.
Quem vive de elogiar o poder dificilmente defenderá o interesse público quando houver conflito entre ambos.
Por isso, é preciso valorizar quem mantém independência, coerência e compromisso com a verdade, mesmo quando isso custa espaço, cargos ou popularidade. A política precisa de menos plateia e mais consciência. Menos vaidade e mais responsabilidade.
No fim das contas, o puxa-saco sempre será útil ao político. Mas quem realmente é útil à população é aquele que tem coragem de discordar, apontar erros e defender o interesse coletivo acima de qualquer conveniência.
Porque a verdade pode incomodar. Mas é a mentira confortável que destrói governos e decepciona a sociedade.
*Diretor do Jornal da Nova
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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