PF faz operação contra esquema com bets ilegais e bloqueia quase R$ 1 bi

São cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária; uma influenciadora foi presa durante a "Operação Slots"

Por CNN Brasil


A Polícia Federal faz uma operação, na manhã desta quarta-feira (15), contra um grupo criminoso investigado pela prática de lavagem de dinheiro com bets ilegais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 951 milhões ligados aos envolvidos.

São cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária durante a "Operação Slots". As ações ocorrem nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe.

Os alvos de prisão são dois influenciadores capixabas. Uma influenciadora foi presa e o marido dela ainda não foi encontrado. Além disso, 11 empresas foram alvo de medidas judiciais.

Investigações

A organização é suspeita de lavar dinheiro a partir de empresas de fachada, plataformas ilegais de apostas de quota fixa e mecanismos financeiros destinados à ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos.

A investigação começou por meio de elementos informativos que apontavam para a possível prática de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

As apurações apontam uma exploração clandestina das plataformas na internet, que usava influenciadores digitais para promover os sites irregulares e empresas intermediadoras de pagamento para receber, movimentar e dispersar os recursos obtidos com a atividade ilícita.

De acordo com as investigações, as 11 empresas se dividiram em três grupos e atuavam de forma sistemática, cada uma responsável por uma área da fraude, como mudanças de links e endereços para tentar ficar longe dos trabalhos policiais. Em dois anos, a movimentação das empresas teria passado de R$ 10 bilhões.

Além disso, a PF indica também uma evolução patrimonial incompatível com a capacidade econômica formalmente declarada pelos investigados. Outro ponto é o uso de pessoas jurídicas com características de empresas de fachada.

Plataformas sem autorização e irregularidades

Segundo os investigadores, as plataformas divulgadas pelos investigados não tinham autorização para funcionarem no território nacional, usavam indevidamente símbolos gráficos, selos ou referências visuais relacionadas ao Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) do Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR).

Com isso, criavam falsa aparência de regularidade perante os consumidores. Os sites também direcionavam os aportes financeiros dos apostadores para pessoas jurídicas sem autorização para exploração da atividade, o que levou ao aprofundamento das investigações.

Além do bloqueio dos valores, também foi autorizado o sequestro de um imóvel de alto padrão e veículos de luxo, da proibição de divulgação de plataformas de apostas irregulares pelos investigados e da suspensão das atividades das empresas investigadas.

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