Há políticos que acreditam ser insubstituíveis. Agem como se fossem os únicos capazes de pensar, planejar e apontar caminhos para uma cidade. Vivem a necessidade constante de provar que sabem mais do que todos, antecipando anúncios, especulando sobre projetos do Executivo Estadual e tentando transformar em mérito pessoal aquilo que sequer ajudaram a construir.
Quando uma obra é anunciada ou um investimento chega, não demora para aparecer quem diga: "Eu já havia pedido". Como se um requerimento ou uma postagem nas redes sociais fosse suficiente para tirar o mérito de quem elaborou projetos, buscou recursos e enfrentou a burocracia para transformar ideias em realidade.
O mais curioso é que, enquanto tenta convencer a população de que tudo começou por sua iniciativa, esquece de fazer o que realmente se espera de um representante público: construir pontes, articular investimentos e trabalhar pelo desenvolvimento do município. Em vez disso, prefere o conforto da crítica permanente e a disputa por protagonismo.
Sem o espaço político que já teve e distante da realidade da cidade, aposta na desqualificação daqueles que hoje ocupam o centro das decisões. A estratégia é simples: se não consegue participar da conquista, tenta diminuir quem conquistou. Não apresenta soluções, apenas discursos.
A cidade cresceu. Novos desafios surgiram. Problemas existem e precisam ser enfrentados com responsabilidade, planejamento e cooperação. O momento exige lideranças que somem esforços, e não personagens que transformem cada debate em uma disputa de vaidades.
Quem realmente ama sua cidade não escolhe ajudar apenas quando está no comando ou quando recebe aplausos. Trabalha por ela independentemente de quem esteja no poder. Usa sua influência para abrir portas, buscar recursos e construir soluções, e não para alimentar rivalidades.
No fim das contas, o político que coloca o próprio ego acima do interesse coletivo acaba governando apenas para si mesmo. Seu maior projeto deixa de ser a cidade e passa a ser a própria imagem. E quando o umbigo se torna maior que o município, perde a política, perde a população e perde a oportunidade de fazer a diferença.
*Diretor do Jornal da Nova
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova.
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