Cidades & Região / Nova Andradina
Morador de Nova Andradina planeja visitar capitais de 196 países
Jorge Henrique de Lima pretende iniciar em agosto uma expedição de três anos e meio, levando o nome do município e de Mato Grosso do Sul ao redor do mundo
Da Redação
Um morador de Nova Andradina se prepara para realizar um desafio de alcance mundial: visitar as capitais de 196 países. Aos 33 anos, Jorge Henrique de Lima transformou uma trajetória marcada por recomeços no projeto Jorge Sem Fronteiras, que pretende levar o nome do município, de Mato Grosso do Sul e do Brasil a todos os continentes.
Filho de nordestinos, Jorge nasceu em São Miguel dos Campos, em Alagoas, mas foi em Nova Andradina que construiu a maior parte de sua história. No município, cresceu, estudou e iniciou a vida profissional aos 14 anos, como menor aprendiz.
Após concluir o ensino médio em escola pública, formou-se em Administração pela FINAN e trabalhou durante 13 anos na área de Recursos Humanos de uma empresa do setor sucroenergético.
A mudança de rumo ocorreu em 2019, quando foi desligado da empresa. Diante do fim de um ciclo profissional, Jorge decidiu transformar o momento em oportunidade de recomeço.
No ano seguinte, embarcou para o Canadá com o objetivo de aprender inglês por meio de um intercâmbio. Posteriormente, foi aprovado em uma instituição privada de ensino e passou a conciliar os estudos com uma intensa rotina de trabalho para custear sua permanência no país.
Durante as férias acadêmicas, aproveitou para conhecer diferentes destinos internacionais. As viagens ampliaram o interesse por culturas, histórias, costumes e formas de vida ao redor do mundo.
Embora já tivesse realizado viagens internacionais antes de morar no Canadá, foi durante essa experiência que Jorge percebeu que a paixão por conhecer novos lugares poderia se transformar em um propósito de vida.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando conheceu pessoalmente o viajante brasileiro Robson Jesus, idealizador do projeto O Nego Vai Longe, reconhecido por realizar uma jornada por países de diferentes continentes.
Segundo Jorge, o encontro serviu de inspiração e mostrou que um sonho aparentemente distante poderia se tornar possível por meio de planejamento, dedicação e persistência.
Projeto nasceu durante viagem pelo Caribe
A ideia ganhou forma definitiva durante um mochilão pelas Américas. Em uma visita à ilha de San Andrés, no Caribe colombiano, Jorge afirma ter encontrado o propósito que buscava para a própria vida.
Foi naquele momento que decidiu criar o projeto Jorge Sem Fronteiras.
Após anos de pesquisas sobre expedições internacionais e iniciativas semelhantes, ele definiu um objetivo específico: visitar as capitais dos 196 países incluídos no roteiro do projeto.
De acordo com levantamentos realizados pelo próprio viajante, não foram encontrados registros de outro brasileiro que tenha desenvolvido uma expedição dedicada exclusivamente a visitar todas essas capitais.
A jornada deverá começar em agosto pelo Sudeste Asiático. A região foi escolhida por fatores como logística, custos de transporte, hospedagem e alimentação.
A estimativa é que a expedição seja concluída em aproximadamente três anos e meio.
Antes mesmo do início oficial do projeto, Jorge já visitou 13 países nos continentes americano e europeu. Ele também se comunica em português, inglês, espanhol e francês, habilidades que considera fundamentais para a viagem.
Recursos próprios e trabalho remoto
A expedição será financiada parcialmente com recursos próprios acumulados ao longo dos últimos anos. A manutenção da viagem também deverá contar com o trabalho como nômade digital, produção de conteúdo e parcerias firmadas durante o percurso.
O público poderá acompanhar a jornada pelas redes sociais do projeto, identificadas como Jorge Sem Fronteiras, no Instagram, Facebook, YouTube, TikTok e Kwai. A proposta também prevê a criação de um site oficial.
Mais do que mostrar paisagens e pontos turísticos, Jorge pretende apresentar a diversidade cultural, a história, a gastronomia, os costumes e o cotidiano de cada capital visitada.
A intenção é estabelecer conexões com moradores locais e compartilhar experiências capazes de aproximar diferentes realidades.
“Para mim, o projeto vai muito além do turismo. Quero mostrar que grandes sonhos não pertencem apenas a quem nasceu nos grandes centros. Minha história começou no interior, e espero que ela incentive outras pessoas a acreditarem que dedicação, planejamento e coragem podem abrir caminhos que antes pareciam impossíveis”, afirma.
Uma frase resume a filosofia que pretende levar durante toda a jornada: “Sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho.”
Nova Andradina como ponto de partida
Representar Nova Andradina na expedição possui um significado especial para o viajante.
“Nova Andradina representa minhas raízes. Foi onde cresci, estudei, trabalhei e construí boa parte da minha história. Quero levar o nome da minha cidade, de Mato Grosso do Sul e do Brasil para todos os continentes”, destaca.
Após concluir o projeto, Jorge pretende transformar as experiências vividas durante a viagem em um livro, reunindo histórias, desafios e aprendizados de diferentes partes do mundo.
Ele também planeja realizar palestras presenciais e on-line para compartilhar sua trajetória e incentivar outras pessoas, especialmente os mais jovens, a acreditarem nos próprios objetivos.
“Gostaria que minha história mostrasse que um sonho pode nascer em qualquer lugar. Independentemente do tamanho da cidade ou das condições de cada pessoa, é possível construir um caminho com dedicação, planejamento e coragem. Se um jovem de Nova Andradina passar a acreditar mais em si mesmo depois de conhecer a minha trajetória, já vou considerar que o projeto cumpriu parte da sua missão”, conclui.
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