Consumo de açúcar na infância pode aumentar risco de demência na vida adulta, aponta estudo

Pesquisa indica que limitar o consumo de açúcar durante a gestação e os primeiros anos de vida pode reduzir o risco de demência e Alzheimer décadas depois

Luis Gustavo, Da Redação*


O consumo elevado de açúcar nos primeiros anos de vida pode aumentar o risco de desenvolver demência na idade adulta, segundo um estudo publicado na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa reforça a importância de uma alimentação equilibrada desde a gestação e nos primeiros anos de vida para proteger a saúde cerebral a longo prazo. 

 

Os pesquisadores analisaram dados de 64.737 pessoas nascidas no Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial. O estudo aproveitou o período em que o país encerrou o racionamento de açúcar, em 1953, permitindo comparar indivíduos expostos a diferentes níveis de consumo do alimento durante os primeiros mil dias de vida — período que vai da gestação até aproximadamente os dois anos de idade. 

 

Os resultados mostraram que pessoas que tiveram menor exposição ao açúcar nesse período apresentaram um risco 21% menor de desenvolver demência por qualquer causa e 23% menor de desenvolver a doença de Alzheimer, quando comparadas àquelas que consumiram mais açúcar na infância. 

 

Além da análise dos registros médicos, parte dos participantes também passou por exames de ressonância magnética cerebral e testes cognitivos. Os pesquisadores observaram sinais de melhor preservação da estrutura cerebral e do desempenho cognitivo entre aqueles que tiveram restrição ao açúcar nos primeiros anos de vida. 

 

Os cientistas ressaltam que o estudo é observacional e, portanto, não comprova uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados reforçam as recomendações de especialistas para limitar o consumo de açúcares adicionados durante a gestação e na alimentação infantil, medida que pode trazer benefícios duradouros para a saúde e reduzir fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas no futuro. *Com informações da CNN.

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