Composto da cannabis pode reduzir pesadelos em pacientes com estresse pós-traumático, aponta estudo

Pesquisa realizada na Alemanha mostrou que medicamento à base de THC diminuiu significativamente a frequência e a intensidade dos pesadelos em pessoas com transtorno de estresse pós-traumático, sem registrar efeitos colaterais graves

Luis Gustavo, Da Redação*


Um estudo conduzido pela Charité – Universitätsmedizin Berlin, na Alemanha, indica que o THC, principal composto psicoativo da cannabis, pode ser uma alternativa eficaz para reduzir os pesadelos recorrentes em pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

O TEPT pode surgir após eventos traumáticos, como acidentes graves, desastres naturais, violência ou guerras. Entre os sintomas mais comuns estão os pesadelos frequentes, que fazem com que o paciente reviva experiências traumáticas durante o sono, prejudicando o descanso e aumentando o medo de dormir.

Para avaliar a eficácia do tratamento, os pesquisadores testaram o dronabinol, um medicamento de prescrição à base de THC. O composto atua no sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como sono, resposta ao estresse e processamento de memórias emocionais. Segundo os cientistas, o THC pode reduzir a atividade dos sonhos durante a fase REM do sono, contribuindo para diminuir as respostas emocionais ligadas ao trauma.

O estudo envolveu mais de 170 pacientes com TEPT e pesadelos intensos. Durante dez semanas, os participantes receberam, antes de dormir, o medicamento ou um placebo, sem que médicos e pacientes soubessem qual tratamento estava sendo administrado.

Ao final do período, os resultados mostraram que os participantes que utilizaram o dronabinol apresentaram uma redução significativamente maior na intensidade dos pesadelos. Em média, a carga dos episódios caiu 3,7 pontos em uma escala de oito, enquanto o grupo placebo registrou redução média de 2,2 pontos. Mais de um terço dos pacientes tratados afirmou que deixou de ter pesadelos, e cerca de um quinto relatou redução de pelo menos 50% nos sintomas.

Os pesquisadores destacam, porém, que o medicamento não demonstrou melhora conclusiva em todos os sintomas do transtorno, como a gravidade geral do TEPT ou quadros de depressão associados. Ainda assim, a maioria dos participantes relatou melhora na qualidade do sono e na percepção geral da saúde.

Em relação à segurança, os efeitos adversos observados foram leves, incluindo tontura, dor de cabeça e aumento do apetite. Não foram registrados efeitos graves nem sintomas importantes de abstinência após a interrupção do tratamento. Os cientistas afirmam que novos estudos serão necessários para avaliar a eficácia e a segurança do uso prolongado do medicamento. *Com informações da CNN.

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!


Comentários