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Vídeos curtos podem reduzir atividade de áreas do cérebro ligadas ao autocontrole, aponta estudo
Pesquisa com 56 jovens identificou menor atividade em regiões associadas ao controle cognitivo durante o consumo de vídeos curtos; especialistas alertam que o uso excessivo pode favorecer a busca por gratificação imediata
Luis Gustavo, Da Redação*
O consumo frequente de vídeos curtos, como Reels, Shorts e conteúdos do TikTok, pode alterar temporariamente a atividade de regiões do cérebro relacionadas ao controle cognitivo e ao autocontrole. É o que aponta um estudo publicado na revista científica NeuroImage, que analisou a atividade cerebral de jovens durante a visualização desse tipo de conteúdo.
Os pesquisadores avaliaram 56 jovens enquanto eles assistiam livremente a vídeos curtos. Os resultados indicaram uma redução da atividade no córtex cingulado anterior dorsal (dACC) e no córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC), duas áreas envolvidas em processos como tomada de decisões, atenção e controle do comportamento.
Segundo os autores, o caráter rápido e altamente estimulante dos vídeos pode direcionar o processamento cerebral para o envolvimento emocional e para a gratificação imediata. Esse mecanismo pode contribuir para o consumo excessivo e para uma redução do autocontrole em pessoas mais vulneráveis.
O estudo também encontrou uma relação entre os níveis de glutamato no cérebro e a intensidade da supressão da atividade dessas regiões. Os pesquisadores apontam que diferenças individuais nesse mecanismo podem ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam maior vulnerabilidade ao uso excessivo de vídeos curtos.
Outras pesquisas recentes também levantaram preocupações sobre os efeitos do consumo intenso desse formato. Um estudo publicado em 2026 identificou associações entre a intensidade de uso de plataformas de vídeos curtos e alterações na função cerebral, enquanto uma revisão científica apontou evidências preliminares de possíveis impactos cognitivos e emocionais associados ao uso excessivo, especialmente entre jovens.
Apesar dos resultados, os estudos não significam que assistir a vídeos curtos “desligue” permanentemente partes do cérebro. As evidências atuais apontam principalmente para alterações na atividade e conectividade cerebral associadas ao consumo desse conteúdo, e ainda são necessários estudos de longo prazo para determinar os efeitos causais e permanentes do hábito.
A recomendação implícita diante das evidências é manter equilíbrio no uso das plataformas, especialmente quando o consumo começa a ocupar períodos cada vez maiores do dia ou interfere na concentração, no sono, no trabalho e em outras atividades. *Com informações da CNN.
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