Autismo pode estar ligado à própria evolução do cérebro humano, aponta estudo

Pesquisa sugere que mudanças que aumentaram a complexidade do cérebro humano também podem ter elevado sua vulnerabilidade a condições como o transtorno do espectro autista

Luis Gustavo, Da Redação*


Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, levanta uma hipótese curiosa sobre a relação entre a evolução do cérebro humano e o autismo. Segundo os pesquisadores, algumas das mudanças que permitiram o desenvolvimento de capacidades cognitivas mais sofisticadas também podem ter aumentado a vulnerabilidade do cérebro a determinadas condições neuropsiquiátricas.

 

A pesquisa analisou um tipo específico de neurônio conhecido como L2/3 IT, encontrado nas camadas externas do córtex cerebral. Essa região está envolvida em funções complexas, como linguagem, memória, raciocínio e pensamento abstrato.

 

Ao comparar cérebros de diferentes espécies, os cientistas observaram que esses neurônios passaram por mudanças evolutivas particularmente importantes nos seres humanos. A hipótese é que alterações genéticas que contribuíram para tornar o cérebro humano mais sofisticado também possam estar associadas a uma maior predisposição ao autismo e à esquizofrenia.

O chamado “trade-off” evolutivo

A explicação está relacionada ao conceito de “trade-off” evolutivo. Na prática, uma característica pode proporcionar uma vantagem para a espécie, mas, ao mesmo tempo, trazer algum tipo de vulnerabilidade.

 

Nesse caso, o aumento da capacidade cognitiva humana poderia ter vindo acompanhado de uma maior suscetibilidade a determinadas alterações neurológicas.

 

Os pesquisadores ressaltam, porém, que isso não significa que o autismo seja simplesmente uma consequência da evolução ou que exista uma única causa para o transtorno. O autismo é uma condição complexa, associada a múltiplos fatores genéticos e biológicos.

Uma nova perspectiva sobre o cérebro

A descoberta também pode ajudar a mudar a maneira como algumas diferenças neurológicas são estudadas. Em vez de enxergá-las apenas como alterações negativas, a hipótese considera que determinadas características podem estar relacionadas às mesmas transformações que tornaram o cérebro humano mais complexo.

 

A pesquisa ainda precisa ser aprofundada para esclarecer exatamente como as alterações observadas nos neurônios estão relacionadas ao desenvolvimento do transtorno do espectro autista.

 

O estudo, portanto, não apresenta uma resposta definitiva sobre a origem do autismo, mas abre uma nova linha de investigação sobre uma questão intrigante: será que algumas das características que tornaram o cérebro humano excepcional também ajudaram a torná-lo mais vulnerável? *Com informações da CNN.

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