Nova diretriz restringe uso de hormônio para tratar alterações da tireoide na gestação

Atualização das recomendações médicas busca evitar medicação desnecessária e reforça acompanhamento das gestantes

Luis Gustavo, Da Redação*


Uma nova diretriz brasileira mudou as recomendações para o diagnóstico e o tratamento de alterações da tireoide durante a gravidez. A principal mudança envolve gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide, mas mantêm os níveis hormonais normais.

 

Segundo as novas orientações, mulheres com resultado positivo para o anticorpo anti-TPO e com funcionamento normal da tireoide não devem receber levotiroxina de forma preventiva. Estudos recentes apontaram que o uso do hormônio nesses casos não reduz os riscos de aborto ou parto prematuro. 

 

Mesmo sem o uso do medicamento, essas gestantes deverão continuar sendo acompanhadas, já que a presença do anticorpo indica maior possibilidade de desenvolvimento de hipotireoidismo durante a gravidez.

 

Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes da gestação, a recomendação permanece: a dose habitual de reposição hormonal deve ser aumentada em aproximadamente 30% logo no início da gravidez. 

Mudanças no hipotireoidismo subclínico

Outra alteração importante diz respeito ao hipotireoidismo subclínico, quando o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal.

 

Pelas novas recomendações, quando o TSH estiver entre 4,0 e 10 mUI/L, a decisão de iniciar o tratamento passa a ser concentrada principalmente no primeiro trimestre, período em que o desenvolvimento do feto depende mais dos hormônios tireoidianos maternos.

 

Se a alteração for descoberta apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é acompanhar a função da tireoide, sem iniciar automaticamente a levotiroxina. O tratamento pode ser indicado quando o TSH ultrapassar 10 mUI/L. 

Exames continuam sendo recomendados

O Brasil também decidiu manter o rastreamento precoce da função da tireoide para todas as gestantes, desde o início da gravidez. A estratégia busca identificar rapidamente quem realmente precisa de tratamento e evitar tanto o diagnóstico tardio quanto o uso desnecessário de medicamentos.

 

Entre os principais fatores que aumentam o risco estão histórico de hipotireoidismo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento anterior da tireoide, doenças autoimunes, histórico familiar de problemas na glândula, infertilidade, dois ou mais abortamentos e uso de medicamentos que possam interferir na tireoide. 

 

A nova orientação também revisa alguns antigos fatores de risco. Idade materna, obesidade e número de gestações anteriores deixam de ser considerados, isoladamente, critérios relevantes para selecionar quem deve ser investigada.

Recomendação sobre o iodo

A atualização ainda trata da ingestão de iodo, nutriente essencial para a produção dos hormônios da tireoide. A necessidade aumenta durante a gestação e a amamentação.

 

No Brasil, porém, a recomendação não é de suplementação automática para todas as gestantes. A necessidade deve ser avaliada individualmente, principalmente em mulheres com dietas muito restritivas, baixo consumo ou ausência de sal iodado ou problemas de absorção. 

 

As novas orientações foram apresentadas nesta sexta-feira (28), durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no Rio de Janeiro. As recomendações brasileiras foram atualizadas com base em evidências recentes e em uma nova diretriz da Associação Americana da Tireoide. *Com informações da Agência Brasil.

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