Nacional & Geral / Saúde
Suplementos e medicamentos: conheça as diferenças
Finalidade, composição e regulamentação definem como essas categorias chegam ao mercado e devem ser utilizadas
Da Redação
Suplementos alimentares e medicamentos podem ser encontrados em farmácias e fazem parte da rotina de cuidados com a saúde, mas têm objetivos diferentes. Enquanto as medicações são desenvolvidas para prevenir, tratar ou controlar doenças e sintomas, os suplementos têm como finalidade complementar a alimentação com nutrientes ou outras substâncias autorizadas, quando a dieta, sozinha, não é suficiente para atender às necessidades do organismo.
A distinção entre essas categorias envolve critérios como composição, finalidade de uso, comprovação de segurança e eficácia, além da forma como são regulamentadas. No Brasil, tanto suplementos quanto medicamentos são fiscalizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas cada grupo segue regras específicas de acordo com a sua finalidade.
Diferenças entre suplementos e medicamentos
Medicamentos são desenvolvidos para prevenir, tratar ou controlar doenças. Antes de serem comercializados, passam por avaliações que verificam sua qualidade, segurança e eficácia para as indicações aprovadas pelos órgãos reguladores.
Os suplementos, por outro lado, são classificados pela legislação como alimentos. Segundo a Anvisa, eles se destinam à complementação da alimentação de indivíduos saudáveis e podem conter nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos.
Sua comercialização é regida pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243/2018, que estabelece requisitos para composição, fabricação, rotulagem e formas de apresentação desses produtos.
Como a Anvisa regulamenta suplementos e medicamentos?
No caso dos suplementos alimentares, a regulamentação estabelece quais ingredientes podem ser utilizados, define limites de consumo, determina requisitos para rotulagem e restringe as alegações que podem constar nas embalagens e nos materiais de divulgação.
Além de estabelecer essas regras, a Anvisa fiscaliza seu cumprimento e pode adotar medidas administrativas quando identifica irregularidades. Em 2025, por exemplo, a agência determinou a apreensão dos suplementos de Cúrcuma, Chá Verde e Centella Asiática, fabricados pela Verde Flora Produtos Naturais Ltda.
A medida proibiu a fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e o uso dos produtos. Segundo a Anvisa, eles eram comercializados sem registro, notificação ou cadastro junto ao órgão regulador. No mesmo ano, outras ações de fiscalização também resultaram na suspensão da fabricação e da venda de suplementos que apresentavam irregularidades sanitárias.
Os medicamentos seguem um processo regulatório diferente. Para obter autorização de comercialização no país, os fabricantes devem apresentar estudos e documentos que comprovem a qualidade, a segurança e a eficácia terapêutica dos produtos para as indicações pretendidas.
Uso indiscriminado de suplementos ou medicações trazem riscos
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) indicam que 59% dos lares brasileiros contam com pelo menos uma pessoa que consome suplementos alimentares.
Embora façam parte da rotina de muitos consumidores, esses produtos não estão isentos de riscos quando utilizados sem orientação profissional ou em quantidades superiores às recomendadas. De acordo com especialistas, o uso indiscriminado de suplementos pode provocar sobrecarga hepática, distúrbios metabólicos, interações com medicamentos e, em alguns casos, problemas cardiovasculares.
Efeitos da maca peruana merecem atenção
A maca peruana está entre os ingredientes mais comercializados na forma de suplementos alimentares no Brasil. No entanto, a Anvisa alerta que qualquer alegação de benefício terapêutico relacionada ao produto depende de comprovação científica e de autorização da agência.
Estudos investigaram os possíveis benefícios da maca peruana sobre aspectos como libido, função sexual, sintomas da menopausa, fertilidade masculina e desempenho físico. Os resultados, entretanto, variam entre as pesquisas, e as evidências científicas disponíveis ainda não permitem estabelecer conclusões definitivas sobre esses efeitos.
O que observar antes de incluir suplementos ou medicamentos na rotina
A decisão de utilizar suplementos ou medicamentos deve considerar fatores como idade, estado de saúde, alimentação, prática de atividade física e condições clínicas. Por isso, a orientação de um profissional de saúde é importante para avaliar se existe necessidade de suplementação ou tratamento e identificar a opção mais adequada para cada caso.
Antes da compra, recomenda-se verificar se a embalagem está íntegra, se há identificação do lote, prazo de validade e orientações de armazenamento. Também é importante consultar informações como composição, tabela nutricional, presença de alergênicos, recomendações de uso por faixa etária e eventuais restrições para determinados grupos, como gestantes.
Além disso, a combinação entre suplementos e medicamentos exige atenção. Algumas interações podem interferir na absorção de nutrientes ou alterar a ação de determinados fármacos, aumentando o risco de efeitos adversos. Por esse motivo, é fundamental informar ao médico todos os produtos utilizados, incluindo suplementos, vitaminas, minerais, fitoterápicos e medicamentos.
Essas orientações também se aplicam aos suplementos manipulados, que devem ser preparados por farmácias de manipulação em conformidade com as normas sanitárias. Estabelecimentos como a Medicinal integram esse segmento e também estão sujeitos às exigências da Anvisa.
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