Nacional & Geral / Brasil
Conflitos agrários aumentam no Brasil, enquanto número de assassinatos cai no primeiro semestre
Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta 841 conflitos no campo e seis assassinatos entre janeiro e junho de 2026
Luis Gustavo, Da Redação*
O número de conflitos no campo aumentou no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, enquanto a quantidade de pessoas assassinadas em disputas agrárias caiu significativamente. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (2) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Entre janeiro e junho, foram registrados 841 conflitos agrários, contra 798 no mesmo período de 2025. Já os assassinatos caíram de 27 para seis vítimas.
O Maranhão liderou o número de conflitos, com 156 registros, seguido por Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63).
Conflitos por terra são maioria
Dos 841 conflitos registrados, 711 foram relacionados à disputa por terra, 100 envolveram recursos hídricos e 30 foram ocorrências de trabalho escravo rural.
Entre os conflitos por terra, os casos de violência aumentaram de 584 para 663, enquanto os episódios classificados como resistência caíram de 66 para 48.
A contaminação por agrotóxicos foi apontada como a forma mais frequente de violência, passando de 98 para 169 casos. Também houve aumento nos registros de invasão de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.
Conflitos pela água também aumentam
Os conflitos relacionados à água mais que dobraram no período, passando de 47 para 100 registros, envolvendo 20 estados.
O Pará apresentou o maior número de ocorrências, com 16 casos, seguido por Minas Gerais, Amazonas e Mato Grosso, com dez registros cada.
Trabalho escravo apresenta queda
Por outro lado, os registros de trabalho escravo rural apresentaram forte redução. Foram 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026, contra 101 no mesmo período do ano passado.
O número de trabalhadores atingidos também caiu de 842 para 355. São Paulo registrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 148 pessoas.
Mato Grosso do Sul entre os estados com vítimas
Dos seis assassinatos registrados pela CPT em conflitos no campo até junho, três ocorreram em um massacre de posseiras em Lábrea, no Amazonas. Também foram assassinados dois indígenas, sendo um em Roraima e outro em Mato Grosso do Sul, além de um trabalhador rural sem-terra.
Apesar da queda nos assassinatos, a CPT aponta aumento geral da violência contra pessoas envolvidas em conflitos no campo: os casos passaram de 418 para 588, enquanto o número de vítimas subiu de 308 para 497.
O levantamento da CPT é produzido a partir de informações coletadas por agentes da entidade, além de notícias da imprensa, dados de órgãos públicos, movimentos sociais e organizações parceiras. *Com informações da Agência Brasil.
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