A salada vai se misturar

Adversários de 2024 caminham para dividir o mesmo palanque em 2026, mas a união eleitoral não significa que antigas disputas desapareceram — principalmente quando 2028 já está no horizonte

*Sandro de Almeida


A política tem dessas coisas: quem ontem estava de um lado da trincheira, amanhã pode aparecer sorrindo na mesma fotografia. E as eleições de 2026 prometem produzir algumas imagens que, há dois anos, pareceriam improváveis.

No palanque do governador Eduardo Riedel e do ex-governador Reinaldo Azambuja, candidato ao Senado, a tendência é de uma verdadeira salada política. Lideranças que nas eleições municipais de 2024 estavam em campos opostos, trocando críticas e disputando voto por voto, agora poderão caminhar juntas em razão das novas composições partidárias.

A salada vai se misturar.

O problema é que estar no mesmo palanque não significa necessariamente pensar igual. Por fora, abraços, fotografias, discursos de unidade e pedidos de voto. Por dentro, cada grupo continua fazendo suas próprias contas. Afinal, 2026 passa rápido e, logo ali, estará 2028.

E aí, meus amigos, a conversa muda.

Quem hoje precisa dividir espaço poderá voltar a disputar território nas próximas eleições municipais. Os aliados circunstanciais de agora poderão novamente ocupar lados opostos quando estiverem em jogo prefeitura, Câmara, grupos políticos e, principalmente, o comando do município.

Nesse tabuleiro, a “tia” já estaria a todo vapor, movimentando suas peças e olhando para 2028 antes mesmo de 2026 chegar às urnas. Enquanto isso, o prefeito tenta manter o equilíbrio — não apenas fiscal, mas também político — em um cenário no qual qualquer movimento pode aproximar um grupo e afastar outro.

Já o “tio” segue com a espada afiada.

De vez em quando, deixa escapar que estaria cansado da guerra política. Mas basta surgir uma nova batalha para aparecer disposto a desafiar quem estiver pela frente. Afinal, para determinados personagens da política, abandonar o campo pode ser mais difícil do que permanecer nele.

Só que existe um detalhe: influência política também se mede nas urnas.

E o tamanho desse reduto eleitoral será colocado à prova novamente. Nos bastidores, fica a pergunta sobre até onde vai a disposição para encarar uma disputa maior e assumir pessoalmente os riscos de uma candidatura.

Por enquanto, porém, essas diferenças terão de esperar.

Em 2026, antigos adversários poderão levantar as mesmas bandeiras, pedir votos para os mesmos candidatos e aparecer juntos nas fotografias. Alguns por convicção, outros por estratégia e outros simplesmente porque a configuração partidária os colocou no mesmo caminho.

Será um palanque grande o suficiente para caber todo mundo.

A dúvida é se haverá espaço suficiente para tantos projetos políticos diferentes.

Porque a salada pode até estar no mesmo prato agora.

Mas, em 2028, cada ingrediente volta a querer seu próprio espaço.

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