Geração Z adota tendência de não tomar banho antes de encontros para preservar “cheiro natural”

Prática chamada de “pheromone-maxxing” viralizou nas redes sociais, mas especialistas apontam que não há comprovação de que feromônios humanos aumentem a atração

Luis Gustavo, Da Redação*


Uma nova tendência que viralizou nas redes sociais está chamando atenção por propor justamente o contrário do tradicional ritual de preparação para um encontro: não tomar banho e evitar desodorante ou perfume antes de sair com alguém.

 

Batizada de “pheromone-maxxing”, a prática ganhou espaço principalmente entre homens da Geração Z no TikTok. A ideia defendida por alguns usuários é preservar o cheiro natural do corpo para supostamente potencializar sinais químicos capazes de influenciar a atração. 

 

A tendência, porém, não significa que toda a Geração Z tenha abandonado o banho. Parte dos vídeos que ajudaram a popularizar o comportamento pode ter caráter de provocação ou sátira, o que dificulta saber quantas pessoas realmente adotam a prática fora das redes sociais. 

De onde surgiu a ideia?

O termo começou a circular no TikTok e está relacionado a outras tendências terminadas em “-maxxing”, usadas na internet para definir tentativas de maximizar determinadas características, especialmente aparência e atratividade.

 

No caso do “pheromone-maxxing”, alguns adeptos relatam reduzir os banhos, deixar de usar perfume e desodorante e até vestir novamente roupas usadas para manter o odor corporal.

 

Um dos exemplos que circulam envolve o influenciador norte-americano Demir Basceri, conhecido como “cookiekinggg”, que afirmou passar três dias sem tomar banho antes de um encontro e usar novamente uma camiseta já vestida. A justificativa seria preservar um suposto “efeito halo” relacionado aos feromônios. 

Feromônios realmente aumentam a atração?

A existência de feromônios é bem estabelecida em diversas espécies animais, nas quais substâncias químicas podem participar de comportamentos relacionados à reprodução, território e comunicação.

 

Nos seres humanos, entretanto, as evidências ainda são inconclusivas.

 

Uma das substâncias estudadas é a androstadienona, um esteroide encontrado principalmente em secreções masculinas. Pesquisas já associaram o composto a alterações em emoções, cognição e atividade neural, mas uma revisão publicada em 2025 apontou que as evidências disponíveis não permitem classificá-lo como um feromônio sexual humano. 

 

Isso não significa que o cheiro não tenha nenhuma influência nas relações. Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 analisou 21 estudos e encontrou evidências de que odores podem influenciar emoções, percepção e julgamentos sociais. Os efeitos, porém, são considerados sutis e dependentes do contexto. 

Banho continua importante

Apesar da tendência, preservar o odor natural do corpo não é o mesmo que abandonar cuidados básicos de higiene.

 

O banho ajuda a remover suor, oleosidade, resíduos e microrganismos acumulados na pele. Desodorantes e outros produtos de higiene também contribuem para controlar o odor corporal.

 

Assim, a chamada “Geração Cascão” parece representar mais uma tendência que ganhou força rapidamente nas redes sociais do que uma mudança comprovada nos hábitos de toda uma geração. Por enquanto, a ciência não confirma que deixar o sabonete de lado seja uma estratégia eficaz para aumentar as chances de conquistar alguém. *Com informações da CNN.

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